Recebi um e-mail com as alterações ao código da estrada. Achei a maioria justa. Três pontos levantaram-me dúvidas:
1. Os candidatos à obtenção da carta de condução já só necessitam saber ler e escrever. Este ponto entra em conflito com a política educativa. Pessoalmente defendo que os candidatos deveriam ter no mínimo a escolaridade mínima obrigatória (9.º ano), pelo menos aqueles com idade inferior a 35 anos. Se é mínima e obrigatório, é para cumprir! Ou não é!?!?
2. É proibido parar ou estacionar no interior das rotundas e a menos de 5 metros destas. Muito bem. Já era assim, pesno e concordo. Mas da próxima vez que a polícia ou guarda me mandar parar em plena rotunda… Não deveriam evitar operações STOP nas rotundas? Ainda esta manhã vi um carro da PSP parado em plena rotunda, tive de mudar de faixa e voltar a entrar. E estava simplesmente estacionado, com bastante espaço fora da rotunda… enfim…
3. Fiquei a saber que é proibido o estacionamento de veículos ostentando qualquer informação para efeitos de transacção. Este é um ataque flagrante à liberdade individual e até à propriedade privada. Mais, trata-se de uma concessão à indústria automóvel e de revendedores. A nossa sociedade e o ordenamento do espaço são prejudicados porque um veículo anda com uma folha A4 com “quero mudar de dono” escrita? Em Espanha, e nos restantes países da Europa, nem o ano do carro figura na matrícula. Este é outra concessão à indústria automóvel. Já para não falar do “saudoso” K para os usados importados. Enfim…
2006-07-06
2006-07-05
Reflexos de reflexões irreflectidas…
Publicado no Jornal do Algarve
Mundial
O futebol é realmente um fenómeno que dificilmente pode ser justificado. Da paixão clubista, chegamos, de tantos em tantos anos, à paixão patriótica. Içam-se as bandeiras, colocam-se os cachecóis aos ombros, fazem-se tops com bandeiras, enfim, há de tudo. O país está ao rubro. Melhor, está verde e rubro. A vitória é a locomotiva, embora efémera.
Em breve, renascerá o país normal, das rotinas contínuas.
Acho incrível faltar ao emprego, mudar uma sessão parlamentar, não fechar um trabalho, enfim, descurar as responsabilidades em nome do “desporto-rei”.
Mas também, há que ser honesto, faltam motivos que justifiquem ou, pelo menos, potenciem alguma euforia colectiva, aquele sentimento latente de “portugalidade”… esmagado por décadas de sentimentos de culpa.
Mas aí está uma desculpa, tão boa quanto qualquer outra. Nestes jogadores, excessivamente pagos e adulados, reside a essência daquilo a que podemos chamar esperança. Mesmo que seja de coisa alguma…
Canhestros
O Primeiro-ministro anunciou que o país está finalmente ligado em Banda Larga. A nova literacia passa por aí. Mas é apenas uma nota de rodapé, nos problemas estruturais que temos nesta área.
Lista Negra
A lista que os merceeiros colocavam nas montras, vexando os clientes mais faltosos ao pagamento das respectivas “contas”, vai ser recuperada como instrumento de recuperação de dívidas fiscais. Bem feito.
E-mails para todos
O choque tecnológico na sua verdadeira acepção. Sim, todos os portugueses terão a sua caixa de correio electrónico. A Sra. Vicencia já conta os dias para poder receber os seus mails e pagar as suas contas, só tem um problema: a electricidade ainda não chegou à sua aldeia. Mas isso é apenas um ruído de fundo neste Portug@l.
OTA e TGV
Parece que sempre avança… serão os primeiros efeitos da silly season?
Jardim da Alameda João de Deus
Já não ia ao Jardim da Alameda há bastante tempo. Recordo-me deste espaço, já um pouco decadente, embora agradável q.b. para ler um livro ou dar um passeio, especialmente em dias de calor, já que as árvores altas e a vegetação densa criam um ambiente fresco.Esta infra-estrutura foi recuperada pela Câmara Municipal de Faro, reaberto em Agosto de 2005 com uma nova face. Hoje, ombreia com os melhores jardins de Portugal. São 2 hectares de lazer. Tem Internet grátis (com espaço Internet e Wi-Fi para quem tenha o equipamento necessário), um renovado mini-golfe, café e um Parque Geriátrico. Este último equipamento permite a manutenção física dos mais idosos. Uma excelente ideia! Um verdadeiro serviço público… e a escassos metros da Biblioteca Municipal.
Publicado no Jornal do Algarve
Mundial
O futebol é realmente um fenómeno que dificilmente pode ser justificado. Da paixão clubista, chegamos, de tantos em tantos anos, à paixão patriótica. Içam-se as bandeiras, colocam-se os cachecóis aos ombros, fazem-se tops com bandeiras, enfim, há de tudo. O país está ao rubro. Melhor, está verde e rubro. A vitória é a locomotiva, embora efémera.
Em breve, renascerá o país normal, das rotinas contínuas.
Acho incrível faltar ao emprego, mudar uma sessão parlamentar, não fechar um trabalho, enfim, descurar as responsabilidades em nome do “desporto-rei”.
Mas também, há que ser honesto, faltam motivos que justifiquem ou, pelo menos, potenciem alguma euforia colectiva, aquele sentimento latente de “portugalidade”… esmagado por décadas de sentimentos de culpa.
Mas aí está uma desculpa, tão boa quanto qualquer outra. Nestes jogadores, excessivamente pagos e adulados, reside a essência daquilo a que podemos chamar esperança. Mesmo que seja de coisa alguma…
Canhestros
O Primeiro-ministro anunciou que o país está finalmente ligado em Banda Larga. A nova literacia passa por aí. Mas é apenas uma nota de rodapé, nos problemas estruturais que temos nesta área.
Lista Negra
A lista que os merceeiros colocavam nas montras, vexando os clientes mais faltosos ao pagamento das respectivas “contas”, vai ser recuperada como instrumento de recuperação de dívidas fiscais. Bem feito.
E-mails para todos
O choque tecnológico na sua verdadeira acepção. Sim, todos os portugueses terão a sua caixa de correio electrónico. A Sra. Vicencia já conta os dias para poder receber os seus mails e pagar as suas contas, só tem um problema: a electricidade ainda não chegou à sua aldeia. Mas isso é apenas um ruído de fundo neste Portug@l.
OTA e TGV
Parece que sempre avança… serão os primeiros efeitos da silly season?
Jardim da Alameda João de Deus
Já não ia ao Jardim da Alameda há bastante tempo. Recordo-me deste espaço, já um pouco decadente, embora agradável q.b. para ler um livro ou dar um passeio, especialmente em dias de calor, já que as árvores altas e a vegetação densa criam um ambiente fresco.Esta infra-estrutura foi recuperada pela Câmara Municipal de Faro, reaberto em Agosto de 2005 com uma nova face. Hoje, ombreia com os melhores jardins de Portugal. São 2 hectares de lazer. Tem Internet grátis (com espaço Internet e Wi-Fi para quem tenha o equipamento necessário), um renovado mini-golfe, café e um Parque Geriátrico. Este último equipamento permite a manutenção física dos mais idosos. Uma excelente ideia! Um verdadeiro serviço público… e a escassos metros da Biblioteca Municipal.
2006-07-04
"Selo" ou não "selo", eis a questão
Todos os anos fico chocado. Um motociclo que tenha mais de 750cc paga 99,68€. Ou seja, o dobro de um carro a gasóleo com 3000cc… e ainda reclamam quando estacionamos num qualquer lugar destinado ao parqueamento de viaturas (seja de que tipo for).
Qual é o desgaste que uma moto com 200 ou 300 quilos, até 1,5 metros de comprimento, faz na via pública? Polui menos, consome menos, enfim…
É de facto uma injustiça. Mas é pagar… e “mai” nada!!
Já agora, um aplauso para a possibilidade de adquirir o dístico pela Net!
[Pagar]
[Imposto Municipal Sobre Veículos - Tabelas das taxas para 2006]
Todos os anos fico chocado. Um motociclo que tenha mais de 750cc paga 99,68€. Ou seja, o dobro de um carro a gasóleo com 3000cc… e ainda reclamam quando estacionamos num qualquer lugar destinado ao parqueamento de viaturas (seja de que tipo for).
Qual é o desgaste que uma moto com 200 ou 300 quilos, até 1,5 metros de comprimento, faz na via pública? Polui menos, consome menos, enfim…
É de facto uma injustiça. Mas é pagar… e “mai” nada!!
Já agora, um aplauso para a possibilidade de adquirir o dístico pela Net!
[Pagar]
[Imposto Municipal Sobre Veículos - Tabelas das taxas para 2006]
2006-07-03
2006-07-01
2006-06-29
2006-06-27
2006-06-26
Banda larga em Canhestros! [ver aqui]
Estive lá há umas semanas… pelos vistos ainda sem “banda”! Aqui fica a direcção para os interessados.
E Canhestros, no concelho de Silves, já tem banda larga??
Estive lá há umas semanas… pelos vistos ainda sem “banda”! Aqui fica a direcção para os interessados.
E Canhestros, no concelho de Silves, já tem banda larga??
2006-06-25
2006-06-19
Pagar impostos é uma chatice, convenhamos. Existem alguns que o contribuinte tem uma noção da sua necessidade, até porque usufrui da sua aplicação.
Em relação aos descontos que fazemos para a Segurança Social (não a nossa, mas a dos outros) já o assunto não é linear. A geração actual de contribuintes está a pagar as gerações de reformados, uns que nunca descontaram, ou pouco, outros que por questões de putativa justiça social, devem ser protegidos, pois não podem alterar as “regras do jogo” para estes cidadãos da república portuguesa… a piada é que para estes cidadãos receberem as suas pensões, exige um esforço extra de nós, que só receberemos uma parte muito pequena daquilo que descontamos. Uma vez mais, penalizam-se quem está a produzir em detrimento dos outros, assim se sustenta o actual modelo de segurança social, o tal estado previdência.
Num artigo de opinião publicado no mês passado na revista Atlântico, Pedro Ferraz da Costa defendia que os melhores terão tendência para sair do País, trocando-o por um outro que lhes dê melhor retorno. É a teoria do custo-benefício… investir num Estado que nos dê garantias de rentabilidade no futuro, i.e. uma reforma adequada ao esforço realizado ao longo da carreira contributiva, é mais acertado do que continuar a sustentar um Estado que em vez de reduzir despesa, aumenta a carga fiscal, como forma de aumentar os gastos. Parece a inversão de uma lógica de gestão pura e simples.
Já cantava Jorge Palma: Ai, Portugal, Portugal, do que é que estás à espera… tens o pé numa galera, outro no fundo do mar…
Em relação aos descontos que fazemos para a Segurança Social (não a nossa, mas a dos outros) já o assunto não é linear. A geração actual de contribuintes está a pagar as gerações de reformados, uns que nunca descontaram, ou pouco, outros que por questões de putativa justiça social, devem ser protegidos, pois não podem alterar as “regras do jogo” para estes cidadãos da república portuguesa… a piada é que para estes cidadãos receberem as suas pensões, exige um esforço extra de nós, que só receberemos uma parte muito pequena daquilo que descontamos. Uma vez mais, penalizam-se quem está a produzir em detrimento dos outros, assim se sustenta o actual modelo de segurança social, o tal estado previdência.
Num artigo de opinião publicado no mês passado na revista Atlântico, Pedro Ferraz da Costa defendia que os melhores terão tendência para sair do País, trocando-o por um outro que lhes dê melhor retorno. É a teoria do custo-benefício… investir num Estado que nos dê garantias de rentabilidade no futuro, i.e. uma reforma adequada ao esforço realizado ao longo da carreira contributiva, é mais acertado do que continuar a sustentar um Estado que em vez de reduzir despesa, aumenta a carga fiscal, como forma de aumentar os gastos. Parece a inversão de uma lógica de gestão pura e simples.
Já cantava Jorge Palma: Ai, Portugal, Portugal, do que é que estás à espera… tens o pé numa galera, outro no fundo do mar…
2006-05-25
Camarate
Facto: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram!
(Minha) opinião: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa foram assassinados!
O Supremo decidiu, está decidido. Ainda existem alguns degraus para Sá Fernandes percorrer, mas nada altera o facto. Morreram. E ainda por cima sem dignidade e sem memória. Portugal prestou-lhe um mau papel, as comissões parlamentares não conseguiram devolver a serenidade ao processo e os tribunais não souberam garantir a honorabilidade do Estado Português.
Sobre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, assim como as restantes vítimas, tenho uma opinião muito positiva. Pessoalmente defendo que estavam no caminho certo, mas em democracia cometem-se erros, existem limitações, constrangimentos, mudanças de rumo, enfim, caso tivessem sobrevivido a Camarate, seriam o quê hoje? Na minha opinião, seriam políticos como os outros, com mais ou menos glória. Com um passado inegável, mas sujeitos ao “envelhecimento” político. Mas Portugal vive com o sebastianismo bem vincado no ADN colectivo.
Já agora, resta perguntar: O que aconteceu aos 8 milhões de contos que desapareceram de fundos do Ministério da Defesa que Adelino Amaro da Costa estaria a investigar??
Facto: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram!
(Minha) opinião: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa foram assassinados!
O Supremo decidiu, está decidido. Ainda existem alguns degraus para Sá Fernandes percorrer, mas nada altera o facto. Morreram. E ainda por cima sem dignidade e sem memória. Portugal prestou-lhe um mau papel, as comissões parlamentares não conseguiram devolver a serenidade ao processo e os tribunais não souberam garantir a honorabilidade do Estado Português.
Sobre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, assim como as restantes vítimas, tenho uma opinião muito positiva. Pessoalmente defendo que estavam no caminho certo, mas em democracia cometem-se erros, existem limitações, constrangimentos, mudanças de rumo, enfim, caso tivessem sobrevivido a Camarate, seriam o quê hoje? Na minha opinião, seriam políticos como os outros, com mais ou menos glória. Com um passado inegável, mas sujeitos ao “envelhecimento” político. Mas Portugal vive com o sebastianismo bem vincado no ADN colectivo.
Já agora, resta perguntar: O que aconteceu aos 8 milhões de contos que desapareceram de fundos do Ministério da Defesa que Adelino Amaro da Costa estaria a investigar??
2006-05-24
Dura Lex, Sed Lex
Publicado no Região Sul
Uma das necessidades mais importantes da sociedade dita ocidental reside na habitação. Seja própria ou arrendada, ela representa o epicentro da vida de cada um de nós. Com mais ou menos divisões, melhor ou pior localização, mais nova ou velha, é aqui que todos acabamos por regressar. Mais tarde ou mais cedo!
Embora o regime dominante no território nacional seja a habitação própria, grosso modo, as habitações arrendadas representam metade destas. O que significa uma percentagem nada displicente.
Portugal apresenta também um número considerável de casas abandonadas, que em nada dignificam a malha urbana e que são um foco de potenciais problemas e riscos.
Aceito que os proprietários das habitações sejam obrigados a mantê-las em condições de não colocarem em perigo os outros, assim como no seu aspecto exterior, não prejudicando a imagem e dignidade do restante parque habitacional contíguo.
Como defendo o direito de propriedade privada, consagrado na Constituição da República Portuguesa, entendo que deve ser responsabilidade dos legítimos donos dos imóveis provir a sua manutenção geral. Residam ou não neles. Estejam ou não arrendados.
No passado, com algumas liberdades, foram também “condicionadas” as rendas, beneficiando quem arrenda, em detrimento dos proprietários. Esta situação foi mantida por décadas, introduzindo um factor de desequilíbrio e com isso a decadência de muitos prédios, especialmente nas grandes cidades. Quem não conhece edifícios arrendados (outrora com dignidade e distinção) em avançado estado de decadência? Mas importa depois outra reflexão: quanto pagam esses inquilinos? Será que é correcto (ainda escrevi legitimo, mas isso levava-nos para outro campo...) um Governo assumir mecanismos que, no limite, possam coagir uma venda, em caso deste não assumir as obras necessárias?
Será que alguém que paga 10€, ou mesmo 100€ mensais, por uma casa de 5 assoalhadas, no centro de Lisboa, pode exigir obras de conservação? Ou de beneficiação? Provavelmente nem a substituição das luzes dos corredores!
Mas o problema existe e requer alguma reflexão e acção política e legislativa. Só não sei se será esta. Especialmente porque foi causado pela vontade política.
Não deve ser com laivos autocráticos, que resultam da legitimidade de uma maioria absoluta e que torna arrogante qualquer partido... As duas principais associações do sector, do lado dos senhorios e dos inquilinos, já mostraram as suas reservas.
O estado a que chegamos tem origens, mas importa neste momento pensar em alternativas, soluções e até compromissos. As pessoas necessitam de locais condignos para viver, cabe ao Governo, se o decidir fazer, facilitar essa evolução com os seus recursos, não colocar na esfera privada este encargo, que é economicamente insustentável.
Claro que não existe uma saída à vista. Enquanto existirem idosos a viver em condições de exclusão; enquanto não acabar a concentração de empregos em dois ou três centros urbanos; enquanto os empresários não apostarem em localizações menos óbvias, embora apresentem boas condições de instalação e funcionamento, permitirem melhorias das condições de vida dos seus recursos humanos, reduzindo o tempo de deslocação e previsivelmente aumentando a produtividade...
- Quase 60% das casas arrendadas têm as rendas congeladas;
- Mais de 50% das casas arrendadas nas grandes cidades têm rendas interiores a 60€;
- Mais de 15% das rendas são interiores a 15€.
Urge relançar o mercado de arrendamento. Para tal, torna-se necessária a “liberalização” do sector.
Publicado no Região Sul
Uma das necessidades mais importantes da sociedade dita ocidental reside na habitação. Seja própria ou arrendada, ela representa o epicentro da vida de cada um de nós. Com mais ou menos divisões, melhor ou pior localização, mais nova ou velha, é aqui que todos acabamos por regressar. Mais tarde ou mais cedo!
Embora o regime dominante no território nacional seja a habitação própria, grosso modo, as habitações arrendadas representam metade destas. O que significa uma percentagem nada displicente.
Portugal apresenta também um número considerável de casas abandonadas, que em nada dignificam a malha urbana e que são um foco de potenciais problemas e riscos.
Aceito que os proprietários das habitações sejam obrigados a mantê-las em condições de não colocarem em perigo os outros, assim como no seu aspecto exterior, não prejudicando a imagem e dignidade do restante parque habitacional contíguo.
Como defendo o direito de propriedade privada, consagrado na Constituição da República Portuguesa, entendo que deve ser responsabilidade dos legítimos donos dos imóveis provir a sua manutenção geral. Residam ou não neles. Estejam ou não arrendados.
No passado, com algumas liberdades, foram também “condicionadas” as rendas, beneficiando quem arrenda, em detrimento dos proprietários. Esta situação foi mantida por décadas, introduzindo um factor de desequilíbrio e com isso a decadência de muitos prédios, especialmente nas grandes cidades. Quem não conhece edifícios arrendados (outrora com dignidade e distinção) em avançado estado de decadência? Mas importa depois outra reflexão: quanto pagam esses inquilinos? Será que é correcto (ainda escrevi legitimo, mas isso levava-nos para outro campo...) um Governo assumir mecanismos que, no limite, possam coagir uma venda, em caso deste não assumir as obras necessárias?
Será que alguém que paga 10€, ou mesmo 100€ mensais, por uma casa de 5 assoalhadas, no centro de Lisboa, pode exigir obras de conservação? Ou de beneficiação? Provavelmente nem a substituição das luzes dos corredores!
Mas o problema existe e requer alguma reflexão e acção política e legislativa. Só não sei se será esta. Especialmente porque foi causado pela vontade política.
Não deve ser com laivos autocráticos, que resultam da legitimidade de uma maioria absoluta e que torna arrogante qualquer partido... As duas principais associações do sector, do lado dos senhorios e dos inquilinos, já mostraram as suas reservas.
O estado a que chegamos tem origens, mas importa neste momento pensar em alternativas, soluções e até compromissos. As pessoas necessitam de locais condignos para viver, cabe ao Governo, se o decidir fazer, facilitar essa evolução com os seus recursos, não colocar na esfera privada este encargo, que é economicamente insustentável.
Claro que não existe uma saída à vista. Enquanto existirem idosos a viver em condições de exclusão; enquanto não acabar a concentração de empregos em dois ou três centros urbanos; enquanto os empresários não apostarem em localizações menos óbvias, embora apresentem boas condições de instalação e funcionamento, permitirem melhorias das condições de vida dos seus recursos humanos, reduzindo o tempo de deslocação e previsivelmente aumentando a produtividade...
- Quase 60% das casas arrendadas têm as rendas congeladas;
- Mais de 50% das casas arrendadas nas grandes cidades têm rendas interiores a 60€;
- Mais de 15% das rendas são interiores a 15€.
Urge relançar o mercado de arrendamento. Para tal, torna-se necessária a “liberalização” do sector.
2006-05-22
Como temos por cá um “comentador” (no mínimo) inconveniente que, embora já tenha deixado de lhe dar resposta, mantém uma postura inconcebível num blogue que expressa simplesmente a opinião de quem cá escreve (e só quem as quer ler por cá passa, sugerindo-se que quem não gosta das nossas opiniões, deixe simplesmente de cá passar), altera-se a forma de comentar, embora seja possível comentar, cortaremos todos os comentários deste senhor, na certeza que, caso haja mais comentários com ataques pessoais, serão tomadas as medidas consideradas adequadas para normalizar a situação.
Esta forma de comentar ainda não é restritiva, mas caso necessário (ou seja, se um “certo e determinado” senhor continuar a escrever ataques pessoais – outros ataques não serão impedidos, apenas quando dirigidos ao nosso bom nome, carácter e profissionalismo) começaremos a moderar os comentários. É pidesco, pois é, mas se as pessoas não sabem (ou não querem) exercer a opinião de forma honrada e séria…
Esta forma de comentar ainda não é restritiva, mas caso necessário (ou seja, se um “certo e determinado” senhor continuar a escrever ataques pessoais – outros ataques não serão impedidos, apenas quando dirigidos ao nosso bom nome, carácter e profissionalismo) começaremos a moderar os comentários. É pidesco, pois é, mas se as pessoas não sabem (ou não querem) exercer a opinião de forma honrada e séria…
2006-05-21
Quem viu o programa da RTP, onde várias “celebridades” dançam, não pôde deixar de passar um bom momento. Maioritariamente por responsabilidade dos Gato Fedorento.
Um dos momentos altos foi quando Ricardo Araújo Pereira comentou que vira pela primeira vez um deputado suar, referindo-se em tom de brincadeira à deputada do PCP Odete Santos, uma das convidadas. Esta senhora, demonstrando de que cepa é feita um comunista (ups! lá estou eu a generalizar), foi inconveniente com o jovem humorista, que, em sua defesa, lá referiu que era um palerma, ao que a deputada ainda retorquiu, mas ele disse que podia perguntar a quem quisesse, que todos confirmariam… o público aplaudiu e riu-se até mais não… quando pontuaram (os Gatos), deram 9 à deputada… metade pela dança, metade pelo projecto-lei da semana passada…
A senhora foi inconveniente. Mas a senhora É inconveniente. O que é que estavam à espera. Mas é engraçado o tempo de antena (e de palco) que têm dado à senhora, ainda que seja uma deputada que justifica o ordenado. Parece um daqueles convidados que o Herman José lavava ao seu programa, antes do puxão de orelhas do Penim! Mas enfim, é o País que temos…
Um dos momentos altos foi quando Ricardo Araújo Pereira comentou que vira pela primeira vez um deputado suar, referindo-se em tom de brincadeira à deputada do PCP Odete Santos, uma das convidadas. Esta senhora, demonstrando de que cepa é feita um comunista (ups! lá estou eu a generalizar), foi inconveniente com o jovem humorista, que, em sua defesa, lá referiu que era um palerma, ao que a deputada ainda retorquiu, mas ele disse que podia perguntar a quem quisesse, que todos confirmariam… o público aplaudiu e riu-se até mais não… quando pontuaram (os Gatos), deram 9 à deputada… metade pela dança, metade pelo projecto-lei da semana passada…
A senhora foi inconveniente. Mas a senhora É inconveniente. O que é que estavam à espera. Mas é engraçado o tempo de antena (e de palco) que têm dado à senhora, ainda que seja uma deputada que justifica o ordenado. Parece um daqueles convidados que o Herman José lavava ao seu programa, antes do puxão de orelhas do Penim! Mas enfim, é o País que temos…
2006-05-17
O PSD, melhor, o ex-Presidente da AR, ou ainda, um destacado membro da Opus Dei, propõe lugar para as confissões religiosas no protocolo de Estado.
Enfim, a medida contempla algum pluralismo mas escamoteia uma questão essencial: o Estado é laico!
Podem tecer as melhores justificações, mas o Estado não deixa de ser laico por isso.
Segundo esta notícia, Mota Amaral refere o exemplo da tomada de posse do Presidente da República (a tal que é laica), mas que eu saiba, a tomada de posse não é uma entronização, resultado de um “desígnio” divino. Resulta de eleições livres e universais, normais nas democracias laicas...
E se responsável da Igreja Católica é convidado, não deverá o representante da Igreja Maná, ou da IURD ter esse direito... Ou seria necessário classificar e hierarquizar as religiões...
Enfim, a medida contempla algum pluralismo mas escamoteia uma questão essencial: o Estado é laico!
Podem tecer as melhores justificações, mas o Estado não deixa de ser laico por isso.
Segundo esta notícia, Mota Amaral refere o exemplo da tomada de posse do Presidente da República (a tal que é laica), mas que eu saiba, a tomada de posse não é uma entronização, resultado de um “desígnio” divino. Resulta de eleições livres e universais, normais nas democracias laicas...
E se responsável da Igreja Católica é convidado, não deverá o representante da Igreja Maná, ou da IURD ter esse direito... Ou seria necessário classificar e hierarquizar as religiões...
2006-05-16
2006-05-12
2006-05-11
Parece que o Instituto de Turismo de Portugal tem novo Patrão!
Patrão esse com um curriculo pouco abonado com o caso da Fundação para a Prevenção e Segurança... junto com o Sr. Armando (o tal que agora é "bancário").
Patrão esse com um curriculo pouco abonado com o caso da Fundação para a Prevenção e Segurança... junto com o Sr. Armando (o tal que agora é "bancário").
2006-05-08
Hipotética analogia
Na passada segunda-feira fui ao cinema à sessão da meia-noite. Já depois de estar sentado na sala e de o filme ter começado, apercebi-me que era o único espectador! É uma sensação estranha mas até é uma perspectiva agradável pensar em ver um filme em grande ecrân sem ter de ouvir o som das pipocas dos outros, os segredinhos e as risadas da garotada. 10 minutos depois de o filme estar a passar, vejo chegar o lanterninha que se dirige a mim. Eis o diálogo que se seguiu:
- Desculpe, mas vou ter de o conduzir à saída!
- Mas porquê?
- São as ordens que tenho da administração. O Sr. Vai ter que sair, e agora.
- Vai-me desculpar, mas terá que me explicar o motivo para esta atitude tão inesperada.
- É que o dinheiro que pagou pelo bilhete é insuficiente.
- Insuficiente? Paguei tudo aquilo que me pediram à entrada!
- Pois, mas já reparou que não está mais ninguém a assistir ao filme?
- Por acaso reparei e até estava a gostar desse facto...
- Pois é, mas acha que aquilo que pagou é suficiente para pagar as horas extraordinárias que eu, o projeccionista, o segurança, a mulher da limpeza e o empregado do bar estão a receber até às duas da manhã apenas para que o senhor possa assistir ao seu filmezinho aí refastelado? Já para não falar na amortização dos equipamentos...
- Eu não tenho nada a ver com isso! Paguei o que me pediram e não vi nada escrito a dizer que havia um número mínimo de espectadores na sala! Daqui eu não saio sem ver o filme todo!
- Se o senhor quiser continuar a ver o filme vai ter de nos pagar 500 euros, é o valor minimamente JUSTO. Ou então saia.
Foi mais ou menos isto que o Sr. Morales fez com a sua decisão da nacionalizar os petróleos na Bolívia.
Na passada segunda-feira fui ao cinema à sessão da meia-noite. Já depois de estar sentado na sala e de o filme ter começado, apercebi-me que era o único espectador! É uma sensação estranha mas até é uma perspectiva agradável pensar em ver um filme em grande ecrân sem ter de ouvir o som das pipocas dos outros, os segredinhos e as risadas da garotada. 10 minutos depois de o filme estar a passar, vejo chegar o lanterninha que se dirige a mim. Eis o diálogo que se seguiu:
- Desculpe, mas vou ter de o conduzir à saída!
- Mas porquê?
- São as ordens que tenho da administração. O Sr. Vai ter que sair, e agora.
- Vai-me desculpar, mas terá que me explicar o motivo para esta atitude tão inesperada.
- É que o dinheiro que pagou pelo bilhete é insuficiente.
- Insuficiente? Paguei tudo aquilo que me pediram à entrada!
- Pois, mas já reparou que não está mais ninguém a assistir ao filme?
- Por acaso reparei e até estava a gostar desse facto...
- Pois é, mas acha que aquilo que pagou é suficiente para pagar as horas extraordinárias que eu, o projeccionista, o segurança, a mulher da limpeza e o empregado do bar estão a receber até às duas da manhã apenas para que o senhor possa assistir ao seu filmezinho aí refastelado? Já para não falar na amortização dos equipamentos...
- Eu não tenho nada a ver com isso! Paguei o que me pediram e não vi nada escrito a dizer que havia um número mínimo de espectadores na sala! Daqui eu não saio sem ver o filme todo!
- Se o senhor quiser continuar a ver o filme vai ter de nos pagar 500 euros, é o valor minimamente JUSTO. Ou então saia.
Foi mais ou menos isto que o Sr. Morales fez com a sua decisão da nacionalizar os petróleos na Bolívia.
2006-05-05
Segurança Social - uma proposta
Têm surgido vozes iradas contra o facto de haver cidadãos a reformar-se com direito a receber 4.000 e mais euros, num contexto em que se aponta a falta de recursos para pagar as reformas daqui a poucos anos.
Ok, aceito que é uma situação chata para o Governo que se confronta com a falta de dinheiro para gerir este sistema, contudo, as pessoas que recebem essas reformas não as recebem por algum "esquema" manhoso (fora as conhecidas excepções dos políticos e administradores da CGD e do Banco de Portugal), mas sim porque quando estavam no activo descontaram as mesmíssimas percentagens que toda a gente desconta, mas sobre salários elevados.
O que está mal não são essas reformas. O que está mal é haver salários de miséria que, quando as pessoas chegam à reforma se traduzem em reformas de miséria. Ponto final. Agora quererem diminuir a reforma de quem descontou anos a fio com a expectativa formada de uma determinada reforma, é simplesmente um roubo. Ao menos devolvam os descontos...
Se querem um sistema mais igualitário, faça-se, por exemplo, assim:
No sistema Público e Universal as reformas têm como valor máximo o salário mínimo nacional. Todas as pessoas recebem o mesmo valor desde que tenham descontado 35 anos. Os descontos, contudo, incidem, no máximo, sobre duas vezes o salário mínimo nacional. Para quem ganha mais do que isso, os descontos da entidade patronal (sobre os valores acima de 2xSMN) que iriam para o sistema público vão para uma aplicação a prazo de capital garantido que apenas são reembolsáveis quando a pessoa se reformar. Os descontos do próprio (sobre os valores acima de 2xSMN) são aplicados da forma que o trabalhador entender mais conveniente.
Nos casos de desemprego, o trabalhador tem direito ao reembolso, numa única tranche, das verbas descontadas às quais se retira um "factor de solidariedade" para remunerar o sistema. Claro que perde o direito à contagem dos correpondente anos de serviço. Pode optar por apenas receber uma parte das verbas que descontou, sendo-lhe retirados menos anos de serviço na devida proporção.
É simples e acaba com as discriminações.
Têm surgido vozes iradas contra o facto de haver cidadãos a reformar-se com direito a receber 4.000 e mais euros, num contexto em que se aponta a falta de recursos para pagar as reformas daqui a poucos anos.
Ok, aceito que é uma situação chata para o Governo que se confronta com a falta de dinheiro para gerir este sistema, contudo, as pessoas que recebem essas reformas não as recebem por algum "esquema" manhoso (fora as conhecidas excepções dos políticos e administradores da CGD e do Banco de Portugal), mas sim porque quando estavam no activo descontaram as mesmíssimas percentagens que toda a gente desconta, mas sobre salários elevados.
O que está mal não são essas reformas. O que está mal é haver salários de miséria que, quando as pessoas chegam à reforma se traduzem em reformas de miséria. Ponto final. Agora quererem diminuir a reforma de quem descontou anos a fio com a expectativa formada de uma determinada reforma, é simplesmente um roubo. Ao menos devolvam os descontos...
Se querem um sistema mais igualitário, faça-se, por exemplo, assim:
No sistema Público e Universal as reformas têm como valor máximo o salário mínimo nacional. Todas as pessoas recebem o mesmo valor desde que tenham descontado 35 anos. Os descontos, contudo, incidem, no máximo, sobre duas vezes o salário mínimo nacional. Para quem ganha mais do que isso, os descontos da entidade patronal (sobre os valores acima de 2xSMN) que iriam para o sistema público vão para uma aplicação a prazo de capital garantido que apenas são reembolsáveis quando a pessoa se reformar. Os descontos do próprio (sobre os valores acima de 2xSMN) são aplicados da forma que o trabalhador entender mais conveniente.
Nos casos de desemprego, o trabalhador tem direito ao reembolso, numa única tranche, das verbas descontadas às quais se retira um "factor de solidariedade" para remunerar o sistema. Claro que perde o direito à contagem dos correpondente anos de serviço. Pode optar por apenas receber uma parte das verbas que descontou, sendo-lhe retirados menos anos de serviço na devida proporção.
É simples e acaba com as discriminações.
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