Mais um dia…
Publicado no Jornal do Algarve
Escrever sobre o conflito Israelo-árabe é um exercício com algumas nuances e, acima de tudo, um assunto que não cabe em 3.500 caracteres. Nem tenho a veleidade de tentar apresentar um texto profundo e conhecedor. Antes, fica como um registo de pesar, perante uma guerra eminentemente económica, ainda que com contornos religiosos e até xenófobos. Não tomo partido. Principalmente pelo que falta saber, aquilo que se encontra debaixo do pano desta cena tétrica…
É um problema antigo, confirmado por resolução da ONU, instituindo um Estado que ninguém acreditou vir a funcionar e que a sociedade ocidental não consegue resolver.
Um estado criado por via política, mas que já tinha alguns “antecedentes”, designadamente as aquisições de terrenos pela Agência Judaica e o regresso deste povo às suas origens, no final do século XIX e início do XX. Embora maioritariamente infértil, é certo que o engenho, ciência e porque não, perseverança, transformou uma paisagem outrora empobrecida, num território apetecível. Não fossem os Judeus, o que seria hoje do antigo mandato britânico da Palestina…
A instabilidade nos países do Médio Oriente foi estabelecida quando empresas ocidentais iniciaram a exploração do petróleo no Médio Oriente, impondo preços baixos na aquisição, revendendo os subprodutos a preços altos, com grandes margens. Com uma estrutura e organização político-social quasi-medieval (para padrões ocidentais, entenda-se), não foi difícil.
Quando estes países evoluíram para uma concertação de posições, reclamando uma maior participação nos ganhos da actividade, os conflitos iniciaram-se. A cereja no topo do bolo: a criação do estado de Israel.
Mais importante que perceber se foi um erro histórico, importa saber que existiam alternativas mais inócuas, menos agressivas. Chegou a ser colocada a hipótese de “instalar” o Estado de Israel numa província Ultramarina Portuguesa, mas tal foi recusado pelos Judeus.
Foi, por fim, estabelecido. Se foi por tradição, mito ou oportunidade, não vale a pena desenvolver mais sobre isso. Está implantado! Têm armas nucleares, financiamento e apoio político. Têm um importante grupo de pressão (lobby), especialmente junto do Governo dos EUA. Seja qual for a cor política, estão por perto.
Os Judeus, expulsos há dois mil anos da Palestina, foram também, no século XV, expulsos de Portugal e Espanha (ou “convertidos” ao catolicismo). Têm tido uma sina bastante atribulada, com milhões assassinados no decorrer da II Grande Guerra. Mas será justificação para desregular aquele território, com questões religiosas fortes, que ainda servem de Lei, como aliás, há poucos séculos, ocorria nas sociedades ocidentais? Quem quiser que atire a primeira pedra… mas convém não esquecer os telhados de vidro.
A guerra que temos assistido (com alguns actos de terrorismo à mistura), com ampla cobertura televisiva, está a provocar um afastamento e um cansaço no público, que já se adaptou e vai ficando imune às imagens de destruição, que não consegue transmitir o drama das famílias, as habitações destruídas ou os seus haveres e pertences, como simples fotografias da família, dos momentos felizes… tudo aquilo que decidiram acumular. Não imagino o que é perder toda uma vida de recordações (ou de várias vidas e gerações), para além da casa. No limite, perdem a vida como até aqui a conheciam. Interrompendo-a sem saber até quando! Alguns definitivamente…
Claro que existe uma guerra encoberta entre o Irão e os EUA. Um braço de ferro que acredito ter os dias contados. Existe uma tendência natural para o equilíbrio. Uma necessidade económica, também. Embora o preço do barril de crude (referência europeia) esteja já acima dos 75 dólares, parece que este conflito não está a ter um impacto expressivo no ouro negro. Mas cada dólar a mais significa custos enormes. Desde a produção ao comércio (transporte), a dependência é quase total, seja como matéria-prima ou consumível.
Dá vontade de perguntar: quando é que começamos a investir, de forma séria e estruturada, no desenvolvimento de energias alternativas!?!? Renováveis ou não!
Em relação ao conflito… resta resolver este e tentar adiar o próximo, que virá certamente!
2006-08-14
2006-08-08
Verão que vale a pena
Publicado no Magazine do Algarve
Na época balnear, que alternativa apresenta o Algarve, para quem não quer exclusivamente praia e mar?
Esta pergunta é feita por muitos dos turistas que elegem o Algarve como destino de férias, ou para “escapadihas” de fim-de-semana.
Não podemos comparar o património arquitectónico algarvio com, por exemplo, o minhoto. Os efeitos do terramoto (e subsequente maremoto) de 1755 devastaram muitas construções, especialmente dos séculos XVI e XVII, onde se destacam edifícios habitacionais da pequena nobreza e da burguesia mercantil.
Existe todavia, ainda assim, locais para visitar, com interesse paisagista, arqueológico ou arquitectónico, que permitem interlúdios à monocórdica praia! De seguida, deixo algumas dicas de visitas, nas localidades mais turísticas da região.
Faro tem cada vez mais visitantes. A Vila Adentro é incontornável. Cercada por muralhas de origem árabe, com as adaptações, construções e reconstruções do período posterior à reconquista. Ali por perto, a Cerca Seiscentista, embora já quase encoberta por construções posteriores. Outro local a visitar: a atalaia de vigia de costa, que foi reconvertida na Ermida de Santo António do Alto. Estes são apenas alguns dos pontos de interesse, para além de muitos imóveis habitacionais, com predominância para os Oitocentistas, nas principais artérias da baixa comercial.
O Concelho de Albufeira apresenta, desde logo, o Castelo de Paderne (presente na Bandeira Nacional), embora decadente devido à falta de manutenção ao longo de séculos, provocando a erosão da taipa que o sustenta, não deixa de ser um local a visitar. Ali perto existe uma ponte que lhe servia de serventia, recentemente recuperada. Do outro lado, percursos pedestres e uma azenha e açude, na margem da Ribeira de Quarteira. Neste conselho também existe um ponto que recomendo: a Torre da Medronheira, inserida numa das zonas mais turísticas da cidade, servia de torre de vigia e foi construída durante o reinado de D. João III (séc. XVI).
O maior concelho algarvio, Loulé, tem muito património, natural e construído. Destaco a aldeia de Alte e de Salir. Nesta última, as ruínas do Castelo de Salir, de origem muçulmana. As pitorescas casas (ou palheiros) circulares na Freguesia do Ameixial ou um passeio pelas ruas de Querença. Não deixe de visitar as ruelas velhas de Loulé e o Castelo (séc. XIII) que o município está a tornar mais visível, adquirindo imóveis contíguos, para descobrir mais panos de muralha.
Em Portimão encontramos a Fortaleza de Santa Catarina (séc. XVII). Este espaço, que possui um miradouro sobre Rio Arade e a Praia da Rocha, convida a momentos de descontracção… do outro lado da margem, avista-se a Fortaleza e o Castelo de São João do Arade (séc. XV), no concelho de Lagoa.
Para terminar: a cidade dos Descobrimentos. Lagos tem, para além de inúmeras praias, uma história intimamente ligada ao apogeu marítimo português.
Começamos nas muralhas, frente ao Forte da Ponta da Bandeira, passando pelo Castelo, que foi, até ao séc. XVIII, a residência dos Governadores do Reino do Algarve, com o pormenor de uma janela Manuelina onde, segundo as lendas populares, o Rei D. Sebastião rezou antes da partida para Alcácer Quibir. Ali por perto, o armazém do Espingardeiro (séc. XVII), construído a mando do Conde de Avintes, enquanto Governador do Reino do Algarve. Mais em baixo, o Armazém Regimental, também obra do Conde de Avintes (que funciona actualmente como galeria de arte), integrou na sua reconstrução, cantarias e outros elementos de edifícios devastados, no seguimento do terramoto de 1755. Bem perto encontramos o Mercado dos Escravos, edifício do séc. XV, o primeiro do género na Europa, para onde eram trazidos e vendidos os escravos oriundos de Africa…
Estas são apenas algumas sugestões. Uma ínfima parte do vasto património que aguarda pela descoberta e que importa cada vez mais potenciar, organizar e dar visibilidade. Acima de tudo, a região vive do turismo. Há que encontrar todos os nichos possíveis e dinamizá-los. Só assim podemos ser um destino completo e versátil.
Publicado no Magazine do Algarve
Na época balnear, que alternativa apresenta o Algarve, para quem não quer exclusivamente praia e mar?
Esta pergunta é feita por muitos dos turistas que elegem o Algarve como destino de férias, ou para “escapadihas” de fim-de-semana.
Não podemos comparar o património arquitectónico algarvio com, por exemplo, o minhoto. Os efeitos do terramoto (e subsequente maremoto) de 1755 devastaram muitas construções, especialmente dos séculos XVI e XVII, onde se destacam edifícios habitacionais da pequena nobreza e da burguesia mercantil.
Existe todavia, ainda assim, locais para visitar, com interesse paisagista, arqueológico ou arquitectónico, que permitem interlúdios à monocórdica praia! De seguida, deixo algumas dicas de visitas, nas localidades mais turísticas da região.
Faro tem cada vez mais visitantes. A Vila Adentro é incontornável. Cercada por muralhas de origem árabe, com as adaptações, construções e reconstruções do período posterior à reconquista. Ali por perto, a Cerca Seiscentista, embora já quase encoberta por construções posteriores. Outro local a visitar: a atalaia de vigia de costa, que foi reconvertida na Ermida de Santo António do Alto. Estes são apenas alguns dos pontos de interesse, para além de muitos imóveis habitacionais, com predominância para os Oitocentistas, nas principais artérias da baixa comercial.
O Concelho de Albufeira apresenta, desde logo, o Castelo de Paderne (presente na Bandeira Nacional), embora decadente devido à falta de manutenção ao longo de séculos, provocando a erosão da taipa que o sustenta, não deixa de ser um local a visitar. Ali perto existe uma ponte que lhe servia de serventia, recentemente recuperada. Do outro lado, percursos pedestres e uma azenha e açude, na margem da Ribeira de Quarteira. Neste conselho também existe um ponto que recomendo: a Torre da Medronheira, inserida numa das zonas mais turísticas da cidade, servia de torre de vigia e foi construída durante o reinado de D. João III (séc. XVI).
O maior concelho algarvio, Loulé, tem muito património, natural e construído. Destaco a aldeia de Alte e de Salir. Nesta última, as ruínas do Castelo de Salir, de origem muçulmana. As pitorescas casas (ou palheiros) circulares na Freguesia do Ameixial ou um passeio pelas ruas de Querença. Não deixe de visitar as ruelas velhas de Loulé e o Castelo (séc. XIII) que o município está a tornar mais visível, adquirindo imóveis contíguos, para descobrir mais panos de muralha.
Em Portimão encontramos a Fortaleza de Santa Catarina (séc. XVII). Este espaço, que possui um miradouro sobre Rio Arade e a Praia da Rocha, convida a momentos de descontracção… do outro lado da margem, avista-se a Fortaleza e o Castelo de São João do Arade (séc. XV), no concelho de Lagoa.
Para terminar: a cidade dos Descobrimentos. Lagos tem, para além de inúmeras praias, uma história intimamente ligada ao apogeu marítimo português.
Começamos nas muralhas, frente ao Forte da Ponta da Bandeira, passando pelo Castelo, que foi, até ao séc. XVIII, a residência dos Governadores do Reino do Algarve, com o pormenor de uma janela Manuelina onde, segundo as lendas populares, o Rei D. Sebastião rezou antes da partida para Alcácer Quibir. Ali por perto, o armazém do Espingardeiro (séc. XVII), construído a mando do Conde de Avintes, enquanto Governador do Reino do Algarve. Mais em baixo, o Armazém Regimental, também obra do Conde de Avintes (que funciona actualmente como galeria de arte), integrou na sua reconstrução, cantarias e outros elementos de edifícios devastados, no seguimento do terramoto de 1755. Bem perto encontramos o Mercado dos Escravos, edifício do séc. XV, o primeiro do género na Europa, para onde eram trazidos e vendidos os escravos oriundos de Africa…
Estas são apenas algumas sugestões. Uma ínfima parte do vasto património que aguarda pela descoberta e que importa cada vez mais potenciar, organizar e dar visibilidade. Acima de tudo, a região vive do turismo. Há que encontrar todos os nichos possíveis e dinamizá-los. Só assim podemos ser um destino completo e versátil.
2006-07-25
2006-07-10
2006-07-09
A recepção da Selecção Nacional foi o momento mais alto destes últimos tempos de Mundial-mania. Embora não tenham trazido a taça, trouxeram o orgulho de um bom resultado e de alguma esperança. É futebol, pois é, podia ser noutra coisa qualquer… mas é um ponto de partida.
Portugal segue dentro de momentos… depois deste curto intervalo!
Portugal segue dentro de momentos… depois deste curto intervalo!
2006-07-06
Recebi um e-mail com as alterações ao código da estrada. Achei a maioria justa. Três pontos levantaram-me dúvidas:
1. Os candidatos à obtenção da carta de condução já só necessitam saber ler e escrever. Este ponto entra em conflito com a política educativa. Pessoalmente defendo que os candidatos deveriam ter no mínimo a escolaridade mínima obrigatória (9.º ano), pelo menos aqueles com idade inferior a 35 anos. Se é mínima e obrigatório, é para cumprir! Ou não é!?!?
2. É proibido parar ou estacionar no interior das rotundas e a menos de 5 metros destas. Muito bem. Já era assim, pesno e concordo. Mas da próxima vez que a polícia ou guarda me mandar parar em plena rotunda… Não deveriam evitar operações STOP nas rotundas? Ainda esta manhã vi um carro da PSP parado em plena rotunda, tive de mudar de faixa e voltar a entrar. E estava simplesmente estacionado, com bastante espaço fora da rotunda… enfim…
3. Fiquei a saber que é proibido o estacionamento de veículos ostentando qualquer informação para efeitos de transacção. Este é um ataque flagrante à liberdade individual e até à propriedade privada. Mais, trata-se de uma concessão à indústria automóvel e de revendedores. A nossa sociedade e o ordenamento do espaço são prejudicados porque um veículo anda com uma folha A4 com “quero mudar de dono” escrita? Em Espanha, e nos restantes países da Europa, nem o ano do carro figura na matrícula. Este é outra concessão à indústria automóvel. Já para não falar do “saudoso” K para os usados importados. Enfim…
1. Os candidatos à obtenção da carta de condução já só necessitam saber ler e escrever. Este ponto entra em conflito com a política educativa. Pessoalmente defendo que os candidatos deveriam ter no mínimo a escolaridade mínima obrigatória (9.º ano), pelo menos aqueles com idade inferior a 35 anos. Se é mínima e obrigatório, é para cumprir! Ou não é!?!?
2. É proibido parar ou estacionar no interior das rotundas e a menos de 5 metros destas. Muito bem. Já era assim, pesno e concordo. Mas da próxima vez que a polícia ou guarda me mandar parar em plena rotunda… Não deveriam evitar operações STOP nas rotundas? Ainda esta manhã vi um carro da PSP parado em plena rotunda, tive de mudar de faixa e voltar a entrar. E estava simplesmente estacionado, com bastante espaço fora da rotunda… enfim…
3. Fiquei a saber que é proibido o estacionamento de veículos ostentando qualquer informação para efeitos de transacção. Este é um ataque flagrante à liberdade individual e até à propriedade privada. Mais, trata-se de uma concessão à indústria automóvel e de revendedores. A nossa sociedade e o ordenamento do espaço são prejudicados porque um veículo anda com uma folha A4 com “quero mudar de dono” escrita? Em Espanha, e nos restantes países da Europa, nem o ano do carro figura na matrícula. Este é outra concessão à indústria automóvel. Já para não falar do “saudoso” K para os usados importados. Enfim…
2006-07-05
Reflexos de reflexões irreflectidas…
Publicado no Jornal do Algarve
Mundial
O futebol é realmente um fenómeno que dificilmente pode ser justificado. Da paixão clubista, chegamos, de tantos em tantos anos, à paixão patriótica. Içam-se as bandeiras, colocam-se os cachecóis aos ombros, fazem-se tops com bandeiras, enfim, há de tudo. O país está ao rubro. Melhor, está verde e rubro. A vitória é a locomotiva, embora efémera.
Em breve, renascerá o país normal, das rotinas contínuas.
Acho incrível faltar ao emprego, mudar uma sessão parlamentar, não fechar um trabalho, enfim, descurar as responsabilidades em nome do “desporto-rei”.
Mas também, há que ser honesto, faltam motivos que justifiquem ou, pelo menos, potenciem alguma euforia colectiva, aquele sentimento latente de “portugalidade”… esmagado por décadas de sentimentos de culpa.
Mas aí está uma desculpa, tão boa quanto qualquer outra. Nestes jogadores, excessivamente pagos e adulados, reside a essência daquilo a que podemos chamar esperança. Mesmo que seja de coisa alguma…
Canhestros
O Primeiro-ministro anunciou que o país está finalmente ligado em Banda Larga. A nova literacia passa por aí. Mas é apenas uma nota de rodapé, nos problemas estruturais que temos nesta área.
Lista Negra
A lista que os merceeiros colocavam nas montras, vexando os clientes mais faltosos ao pagamento das respectivas “contas”, vai ser recuperada como instrumento de recuperação de dívidas fiscais. Bem feito.
E-mails para todos
O choque tecnológico na sua verdadeira acepção. Sim, todos os portugueses terão a sua caixa de correio electrónico. A Sra. Vicencia já conta os dias para poder receber os seus mails e pagar as suas contas, só tem um problema: a electricidade ainda não chegou à sua aldeia. Mas isso é apenas um ruído de fundo neste Portug@l.
OTA e TGV
Parece que sempre avança… serão os primeiros efeitos da silly season?
Jardim da Alameda João de Deus
Já não ia ao Jardim da Alameda há bastante tempo. Recordo-me deste espaço, já um pouco decadente, embora agradável q.b. para ler um livro ou dar um passeio, especialmente em dias de calor, já que as árvores altas e a vegetação densa criam um ambiente fresco.Esta infra-estrutura foi recuperada pela Câmara Municipal de Faro, reaberto em Agosto de 2005 com uma nova face. Hoje, ombreia com os melhores jardins de Portugal. São 2 hectares de lazer. Tem Internet grátis (com espaço Internet e Wi-Fi para quem tenha o equipamento necessário), um renovado mini-golfe, café e um Parque Geriátrico. Este último equipamento permite a manutenção física dos mais idosos. Uma excelente ideia! Um verdadeiro serviço público… e a escassos metros da Biblioteca Municipal.
Publicado no Jornal do Algarve
Mundial
O futebol é realmente um fenómeno que dificilmente pode ser justificado. Da paixão clubista, chegamos, de tantos em tantos anos, à paixão patriótica. Içam-se as bandeiras, colocam-se os cachecóis aos ombros, fazem-se tops com bandeiras, enfim, há de tudo. O país está ao rubro. Melhor, está verde e rubro. A vitória é a locomotiva, embora efémera.
Em breve, renascerá o país normal, das rotinas contínuas.
Acho incrível faltar ao emprego, mudar uma sessão parlamentar, não fechar um trabalho, enfim, descurar as responsabilidades em nome do “desporto-rei”.
Mas também, há que ser honesto, faltam motivos que justifiquem ou, pelo menos, potenciem alguma euforia colectiva, aquele sentimento latente de “portugalidade”… esmagado por décadas de sentimentos de culpa.
Mas aí está uma desculpa, tão boa quanto qualquer outra. Nestes jogadores, excessivamente pagos e adulados, reside a essência daquilo a que podemos chamar esperança. Mesmo que seja de coisa alguma…
Canhestros
O Primeiro-ministro anunciou que o país está finalmente ligado em Banda Larga. A nova literacia passa por aí. Mas é apenas uma nota de rodapé, nos problemas estruturais que temos nesta área.
Lista Negra
A lista que os merceeiros colocavam nas montras, vexando os clientes mais faltosos ao pagamento das respectivas “contas”, vai ser recuperada como instrumento de recuperação de dívidas fiscais. Bem feito.
E-mails para todos
O choque tecnológico na sua verdadeira acepção. Sim, todos os portugueses terão a sua caixa de correio electrónico. A Sra. Vicencia já conta os dias para poder receber os seus mails e pagar as suas contas, só tem um problema: a electricidade ainda não chegou à sua aldeia. Mas isso é apenas um ruído de fundo neste Portug@l.
OTA e TGV
Parece que sempre avança… serão os primeiros efeitos da silly season?
Jardim da Alameda João de Deus
Já não ia ao Jardim da Alameda há bastante tempo. Recordo-me deste espaço, já um pouco decadente, embora agradável q.b. para ler um livro ou dar um passeio, especialmente em dias de calor, já que as árvores altas e a vegetação densa criam um ambiente fresco.Esta infra-estrutura foi recuperada pela Câmara Municipal de Faro, reaberto em Agosto de 2005 com uma nova face. Hoje, ombreia com os melhores jardins de Portugal. São 2 hectares de lazer. Tem Internet grátis (com espaço Internet e Wi-Fi para quem tenha o equipamento necessário), um renovado mini-golfe, café e um Parque Geriátrico. Este último equipamento permite a manutenção física dos mais idosos. Uma excelente ideia! Um verdadeiro serviço público… e a escassos metros da Biblioteca Municipal.
2006-07-04
"Selo" ou não "selo", eis a questão
Todos os anos fico chocado. Um motociclo que tenha mais de 750cc paga 99,68€. Ou seja, o dobro de um carro a gasóleo com 3000cc… e ainda reclamam quando estacionamos num qualquer lugar destinado ao parqueamento de viaturas (seja de que tipo for).
Qual é o desgaste que uma moto com 200 ou 300 quilos, até 1,5 metros de comprimento, faz na via pública? Polui menos, consome menos, enfim…
É de facto uma injustiça. Mas é pagar… e “mai” nada!!
Já agora, um aplauso para a possibilidade de adquirir o dístico pela Net!
[Pagar]
[Imposto Municipal Sobre Veículos - Tabelas das taxas para 2006]
Todos os anos fico chocado. Um motociclo que tenha mais de 750cc paga 99,68€. Ou seja, o dobro de um carro a gasóleo com 3000cc… e ainda reclamam quando estacionamos num qualquer lugar destinado ao parqueamento de viaturas (seja de que tipo for).
Qual é o desgaste que uma moto com 200 ou 300 quilos, até 1,5 metros de comprimento, faz na via pública? Polui menos, consome menos, enfim…
É de facto uma injustiça. Mas é pagar… e “mai” nada!!
Já agora, um aplauso para a possibilidade de adquirir o dístico pela Net!
[Pagar]
[Imposto Municipal Sobre Veículos - Tabelas das taxas para 2006]
2006-07-03
2006-07-01
2006-06-29
2006-06-27
2006-06-26
Banda larga em Canhestros! [ver aqui]
Estive lá há umas semanas… pelos vistos ainda sem “banda”! Aqui fica a direcção para os interessados.
E Canhestros, no concelho de Silves, já tem banda larga??
Estive lá há umas semanas… pelos vistos ainda sem “banda”! Aqui fica a direcção para os interessados.
E Canhestros, no concelho de Silves, já tem banda larga??
2006-06-25
2006-06-19
Pagar impostos é uma chatice, convenhamos. Existem alguns que o contribuinte tem uma noção da sua necessidade, até porque usufrui da sua aplicação.
Em relação aos descontos que fazemos para a Segurança Social (não a nossa, mas a dos outros) já o assunto não é linear. A geração actual de contribuintes está a pagar as gerações de reformados, uns que nunca descontaram, ou pouco, outros que por questões de putativa justiça social, devem ser protegidos, pois não podem alterar as “regras do jogo” para estes cidadãos da república portuguesa… a piada é que para estes cidadãos receberem as suas pensões, exige um esforço extra de nós, que só receberemos uma parte muito pequena daquilo que descontamos. Uma vez mais, penalizam-se quem está a produzir em detrimento dos outros, assim se sustenta o actual modelo de segurança social, o tal estado previdência.
Num artigo de opinião publicado no mês passado na revista Atlântico, Pedro Ferraz da Costa defendia que os melhores terão tendência para sair do País, trocando-o por um outro que lhes dê melhor retorno. É a teoria do custo-benefício… investir num Estado que nos dê garantias de rentabilidade no futuro, i.e. uma reforma adequada ao esforço realizado ao longo da carreira contributiva, é mais acertado do que continuar a sustentar um Estado que em vez de reduzir despesa, aumenta a carga fiscal, como forma de aumentar os gastos. Parece a inversão de uma lógica de gestão pura e simples.
Já cantava Jorge Palma: Ai, Portugal, Portugal, do que é que estás à espera… tens o pé numa galera, outro no fundo do mar…
Em relação aos descontos que fazemos para a Segurança Social (não a nossa, mas a dos outros) já o assunto não é linear. A geração actual de contribuintes está a pagar as gerações de reformados, uns que nunca descontaram, ou pouco, outros que por questões de putativa justiça social, devem ser protegidos, pois não podem alterar as “regras do jogo” para estes cidadãos da república portuguesa… a piada é que para estes cidadãos receberem as suas pensões, exige um esforço extra de nós, que só receberemos uma parte muito pequena daquilo que descontamos. Uma vez mais, penalizam-se quem está a produzir em detrimento dos outros, assim se sustenta o actual modelo de segurança social, o tal estado previdência.
Num artigo de opinião publicado no mês passado na revista Atlântico, Pedro Ferraz da Costa defendia que os melhores terão tendência para sair do País, trocando-o por um outro que lhes dê melhor retorno. É a teoria do custo-benefício… investir num Estado que nos dê garantias de rentabilidade no futuro, i.e. uma reforma adequada ao esforço realizado ao longo da carreira contributiva, é mais acertado do que continuar a sustentar um Estado que em vez de reduzir despesa, aumenta a carga fiscal, como forma de aumentar os gastos. Parece a inversão de uma lógica de gestão pura e simples.
Já cantava Jorge Palma: Ai, Portugal, Portugal, do que é que estás à espera… tens o pé numa galera, outro no fundo do mar…
2006-05-25
Camarate
Facto: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram!
(Minha) opinião: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa foram assassinados!
O Supremo decidiu, está decidido. Ainda existem alguns degraus para Sá Fernandes percorrer, mas nada altera o facto. Morreram. E ainda por cima sem dignidade e sem memória. Portugal prestou-lhe um mau papel, as comissões parlamentares não conseguiram devolver a serenidade ao processo e os tribunais não souberam garantir a honorabilidade do Estado Português.
Sobre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, assim como as restantes vítimas, tenho uma opinião muito positiva. Pessoalmente defendo que estavam no caminho certo, mas em democracia cometem-se erros, existem limitações, constrangimentos, mudanças de rumo, enfim, caso tivessem sobrevivido a Camarate, seriam o quê hoje? Na minha opinião, seriam políticos como os outros, com mais ou menos glória. Com um passado inegável, mas sujeitos ao “envelhecimento” político. Mas Portugal vive com o sebastianismo bem vincado no ADN colectivo.
Já agora, resta perguntar: O que aconteceu aos 8 milhões de contos que desapareceram de fundos do Ministério da Defesa que Adelino Amaro da Costa estaria a investigar??
Facto: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram!
(Minha) opinião: Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa foram assassinados!
O Supremo decidiu, está decidido. Ainda existem alguns degraus para Sá Fernandes percorrer, mas nada altera o facto. Morreram. E ainda por cima sem dignidade e sem memória. Portugal prestou-lhe um mau papel, as comissões parlamentares não conseguiram devolver a serenidade ao processo e os tribunais não souberam garantir a honorabilidade do Estado Português.
Sobre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, assim como as restantes vítimas, tenho uma opinião muito positiva. Pessoalmente defendo que estavam no caminho certo, mas em democracia cometem-se erros, existem limitações, constrangimentos, mudanças de rumo, enfim, caso tivessem sobrevivido a Camarate, seriam o quê hoje? Na minha opinião, seriam políticos como os outros, com mais ou menos glória. Com um passado inegável, mas sujeitos ao “envelhecimento” político. Mas Portugal vive com o sebastianismo bem vincado no ADN colectivo.
Já agora, resta perguntar: O que aconteceu aos 8 milhões de contos que desapareceram de fundos do Ministério da Defesa que Adelino Amaro da Costa estaria a investigar??
2006-05-24
Dura Lex, Sed Lex
Publicado no Região Sul
Uma das necessidades mais importantes da sociedade dita ocidental reside na habitação. Seja própria ou arrendada, ela representa o epicentro da vida de cada um de nós. Com mais ou menos divisões, melhor ou pior localização, mais nova ou velha, é aqui que todos acabamos por regressar. Mais tarde ou mais cedo!
Embora o regime dominante no território nacional seja a habitação própria, grosso modo, as habitações arrendadas representam metade destas. O que significa uma percentagem nada displicente.
Portugal apresenta também um número considerável de casas abandonadas, que em nada dignificam a malha urbana e que são um foco de potenciais problemas e riscos.
Aceito que os proprietários das habitações sejam obrigados a mantê-las em condições de não colocarem em perigo os outros, assim como no seu aspecto exterior, não prejudicando a imagem e dignidade do restante parque habitacional contíguo.
Como defendo o direito de propriedade privada, consagrado na Constituição da República Portuguesa, entendo que deve ser responsabilidade dos legítimos donos dos imóveis provir a sua manutenção geral. Residam ou não neles. Estejam ou não arrendados.
No passado, com algumas liberdades, foram também “condicionadas” as rendas, beneficiando quem arrenda, em detrimento dos proprietários. Esta situação foi mantida por décadas, introduzindo um factor de desequilíbrio e com isso a decadência de muitos prédios, especialmente nas grandes cidades. Quem não conhece edifícios arrendados (outrora com dignidade e distinção) em avançado estado de decadência? Mas importa depois outra reflexão: quanto pagam esses inquilinos? Será que é correcto (ainda escrevi legitimo, mas isso levava-nos para outro campo...) um Governo assumir mecanismos que, no limite, possam coagir uma venda, em caso deste não assumir as obras necessárias?
Será que alguém que paga 10€, ou mesmo 100€ mensais, por uma casa de 5 assoalhadas, no centro de Lisboa, pode exigir obras de conservação? Ou de beneficiação? Provavelmente nem a substituição das luzes dos corredores!
Mas o problema existe e requer alguma reflexão e acção política e legislativa. Só não sei se será esta. Especialmente porque foi causado pela vontade política.
Não deve ser com laivos autocráticos, que resultam da legitimidade de uma maioria absoluta e que torna arrogante qualquer partido... As duas principais associações do sector, do lado dos senhorios e dos inquilinos, já mostraram as suas reservas.
O estado a que chegamos tem origens, mas importa neste momento pensar em alternativas, soluções e até compromissos. As pessoas necessitam de locais condignos para viver, cabe ao Governo, se o decidir fazer, facilitar essa evolução com os seus recursos, não colocar na esfera privada este encargo, que é economicamente insustentável.
Claro que não existe uma saída à vista. Enquanto existirem idosos a viver em condições de exclusão; enquanto não acabar a concentração de empregos em dois ou três centros urbanos; enquanto os empresários não apostarem em localizações menos óbvias, embora apresentem boas condições de instalação e funcionamento, permitirem melhorias das condições de vida dos seus recursos humanos, reduzindo o tempo de deslocação e previsivelmente aumentando a produtividade...
- Quase 60% das casas arrendadas têm as rendas congeladas;
- Mais de 50% das casas arrendadas nas grandes cidades têm rendas interiores a 60€;
- Mais de 15% das rendas são interiores a 15€.
Urge relançar o mercado de arrendamento. Para tal, torna-se necessária a “liberalização” do sector.
Publicado no Região Sul
Uma das necessidades mais importantes da sociedade dita ocidental reside na habitação. Seja própria ou arrendada, ela representa o epicentro da vida de cada um de nós. Com mais ou menos divisões, melhor ou pior localização, mais nova ou velha, é aqui que todos acabamos por regressar. Mais tarde ou mais cedo!
Embora o regime dominante no território nacional seja a habitação própria, grosso modo, as habitações arrendadas representam metade destas. O que significa uma percentagem nada displicente.
Portugal apresenta também um número considerável de casas abandonadas, que em nada dignificam a malha urbana e que são um foco de potenciais problemas e riscos.
Aceito que os proprietários das habitações sejam obrigados a mantê-las em condições de não colocarem em perigo os outros, assim como no seu aspecto exterior, não prejudicando a imagem e dignidade do restante parque habitacional contíguo.
Como defendo o direito de propriedade privada, consagrado na Constituição da República Portuguesa, entendo que deve ser responsabilidade dos legítimos donos dos imóveis provir a sua manutenção geral. Residam ou não neles. Estejam ou não arrendados.
No passado, com algumas liberdades, foram também “condicionadas” as rendas, beneficiando quem arrenda, em detrimento dos proprietários. Esta situação foi mantida por décadas, introduzindo um factor de desequilíbrio e com isso a decadência de muitos prédios, especialmente nas grandes cidades. Quem não conhece edifícios arrendados (outrora com dignidade e distinção) em avançado estado de decadência? Mas importa depois outra reflexão: quanto pagam esses inquilinos? Será que é correcto (ainda escrevi legitimo, mas isso levava-nos para outro campo...) um Governo assumir mecanismos que, no limite, possam coagir uma venda, em caso deste não assumir as obras necessárias?
Será que alguém que paga 10€, ou mesmo 100€ mensais, por uma casa de 5 assoalhadas, no centro de Lisboa, pode exigir obras de conservação? Ou de beneficiação? Provavelmente nem a substituição das luzes dos corredores!
Mas o problema existe e requer alguma reflexão e acção política e legislativa. Só não sei se será esta. Especialmente porque foi causado pela vontade política.
Não deve ser com laivos autocráticos, que resultam da legitimidade de uma maioria absoluta e que torna arrogante qualquer partido... As duas principais associações do sector, do lado dos senhorios e dos inquilinos, já mostraram as suas reservas.
O estado a que chegamos tem origens, mas importa neste momento pensar em alternativas, soluções e até compromissos. As pessoas necessitam de locais condignos para viver, cabe ao Governo, se o decidir fazer, facilitar essa evolução com os seus recursos, não colocar na esfera privada este encargo, que é economicamente insustentável.
Claro que não existe uma saída à vista. Enquanto existirem idosos a viver em condições de exclusão; enquanto não acabar a concentração de empregos em dois ou três centros urbanos; enquanto os empresários não apostarem em localizações menos óbvias, embora apresentem boas condições de instalação e funcionamento, permitirem melhorias das condições de vida dos seus recursos humanos, reduzindo o tempo de deslocação e previsivelmente aumentando a produtividade...
- Quase 60% das casas arrendadas têm as rendas congeladas;
- Mais de 50% das casas arrendadas nas grandes cidades têm rendas interiores a 60€;
- Mais de 15% das rendas são interiores a 15€.
Urge relançar o mercado de arrendamento. Para tal, torna-se necessária a “liberalização” do sector.
2006-05-22
Como temos por cá um “comentador” (no mínimo) inconveniente que, embora já tenha deixado de lhe dar resposta, mantém uma postura inconcebível num blogue que expressa simplesmente a opinião de quem cá escreve (e só quem as quer ler por cá passa, sugerindo-se que quem não gosta das nossas opiniões, deixe simplesmente de cá passar), altera-se a forma de comentar, embora seja possível comentar, cortaremos todos os comentários deste senhor, na certeza que, caso haja mais comentários com ataques pessoais, serão tomadas as medidas consideradas adequadas para normalizar a situação.
Esta forma de comentar ainda não é restritiva, mas caso necessário (ou seja, se um “certo e determinado” senhor continuar a escrever ataques pessoais – outros ataques não serão impedidos, apenas quando dirigidos ao nosso bom nome, carácter e profissionalismo) começaremos a moderar os comentários. É pidesco, pois é, mas se as pessoas não sabem (ou não querem) exercer a opinião de forma honrada e séria…
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