Ai Portugal, Portugal!
Publicado no Região Sul, aqui
Como é que está Portugal em 2006? Melhor que em 2004? Ou do que 1999?
Os fundos comunitários serviram para alavancar a nossa economia? Os serviços públicos são hoje mais eficientes que em 2000? Os técnicoprofissionais, os bacharéis, os licenciados, os mestres, os doutores estão mais preparados que na década de 90? Os cursos correspondem às necessidades do mercado? Os professores têm mais formação específica e pedagógica, i.e. estão mais preparados para leccionar que na década de 80? A nossa formação profissional é mais consequente que em 1991?
Os empresários têm mais formação que há 15 anos? O nosso tecido produtivo está preparado para a globalização? Para o embate de produtos mais baratos, especialmente do Oriente, cada vez mais sofisticados e com tendência para melhorar?
O comércio tradicional está preparado para adaptar os seus horários às necessidades dos consumidores? Nos últimos 10 anos prepararam-se para sobreviver aos grandes grupos de distribuição retalhista?
Os Governos já perceberam que gerir para ciclos políticos apenas adia problemas e compromete reformas? Existe hoje uma estratégia ou política de recursos humanos na administração pública?
Os municípios têm noção real do impacto que têm na economia? Que o seu endividamento compromete o país? Que cresceram demasiado? Muito acima das necessidades e, especialmente, das possibilidades? Hoje existe mais/ melhor planeamento urbano? Mais coerente e informado com os erros do passado?
São tantas as questões que me assolam, todas com resposta mais ou menos fácil, com as devidas variações, conforme o espectro político de cada um e das datas apresentadas.
Portugal é hoje um país mais aberto, disso não tenho dúvidas. Em menos de 30 anos transformaram-se mentalidades, reduziram-se tabus, alguns mitos e dependências religiosas. Foram 30 anos de aprendizagem com a abertura ao mundo. Constante e determinada!
Aprendemos tudo: o bom e o mau. Aprendemos também o significado de “dependência”: dos subsídios, do Estado que tudo apoia, que se tornou patrão, depois arrendatário, finalmente liquidatário e depois moderador. Mas sempre muito presente e paternalista.
Relegamos para segundo plano algumas características que pessoalmente julgo estarem impregnadas no nosso ADN, enquanto nação. Não me refiro ao famigerado epíteto de “desenrascado”, mas à capacidade de empreender e, contra as adversidades, avançar até ao sucesso. Esta característica foi sendo abafada pelo tempo… Pelo cinzentismo e condicionamento do Estado Novo.
Mas isto já passou!
Hoje queremos pagar menos impostos, queremos ganhar mais, queremos ter mais estradas, mais rápidas, melhores escolas, mais teatros, bibliotecas, piscinas, estádios, queremos ensino e saúde gratuitos, queremos, queremos, queremos… dá, dá, dá… tudo isto é necessário. Mas deve ser conseguido pelo aumento do produto, pelo aumento da produção de todos nós: profissionais liberais, empresários, trabalhadores dependentes, reformados… até dos estudantes e dos desempregados!
A nossa maior pobreza não está na falta de recursos, mas na falta de vontade de empreender.
2006-09-18
2006-09-13
As Grutas da Ponta da Piedade
publicado no Magazine do Algarve
Recortando a costa lacobrigense, descobrindo inúmeras praias e vistas fantásticas, este passeio está estruturado para mostrar, em cerca de 30 a 40 minutos, num pequeno barco a motor, as grutas e cavernas escavadas e encravadas pela natureza na rocha calcária da Ponta da Piedade.
A partida é feita a partir de um pequeno cais existente na foz da ribeira de Bensafrim, na avenida principal da cidade, a poucas centenas de metros da Marina de Lagos.
O “percurso marítimo” vale a pena. Os tons da água translúcida mudam de verde turquesa para o azul cristal, assim como das formações rochosas, dos castanhos ao ocre. Ali encontramos parte importante do património natural do concelho de Lagos, mas também permite vislumbrar parte do importante património histórico desta cidade secular.
Passamos junto ao Forte Ponta da Bandeira, construído nos finais do século XVII para proteger a entrada marítima da cidade, com uma intervenção em 1960, aquando da construção da Avenida dos Descobrimentos, onde foram acrescentadas as 4 guaritas. Avista-se também a Porta de S. Gonçalo, que figura no Brasão da Cidade, assim como os panos de muralhas que cercavam o burgo. A saída da ribeira é feita por entre dois pequenos faróis, o vermelho para dar bombordo e o verde para estibordo. Entramos pelo Atlântico adentro. O mar é normalmente calmo nesta zona. O horizonte é imenso e inspirador…
Passamos pela Praia da Solaria (e do cais com o mesmo nome), depois pela Batata (que ganhou este nome porque os militares jogavam as cascas das batatas aí, quando não se usava ir à praia). Depois a Praias dos Estudantes, Homens e Pinhão, onde existe vestígios de um forte, destruído pelo terramoto de 1755, resta apenas uma parede de pedra… tudo o resto ruiu. Prosseguimos pelas Praias dos Nudistas, D. Ana, Camilo e Canavial.
Depois de “curvar” a ponta, influência do mar do norte, o Atlântico apresenta-se mais picado, mas estava suficiente calmo para prosseguir viagem. Passamos ainda por um pequeno areal, avistando ao fundo a Praia do Porto de Mós. Regressámos.
Existe alguma desorganização nestas rotas, tantas que são as embarcações que exploram este recurso turístico. Embora haja já algum apoio em terra, as saídas não são sincronizadas, o que provoca pequenos “engarrafamentos” na entrada de certas grutas. Não deixa, todavia, de conferir algum colorido.
Deixo também uma nota para o facto de existir a possibilidade de alugar caiaques e fazer esta aventura de forma mais ecológica e desportiva, todavia, sem o benefício das explicações dos experientes barqueiros, que nos vão mostrando figuras de animais e de outros elementos, que a natureza foi “esculpindo” na rocha.
Existe um túnel construído na rocha, que liga algumas destas praias entre si. Infelizmente, com a degradação provocada pela falta de manutenção e pela acção do mar, já não se encontra em condições de utilização plena. É pena que as entidades municipais, que devem defender o património da cidade, tenham descurado sucessivamente este recurso. Impõe-se, na minha opinião, não só a recuperação do túnel/ percurso pedestre, como, por que não, o seu alargamento até onde fosse tecnicamente possível… até à Praia do Porto de Mós, ou mesmo à Praia da Luz. É certo que se trata de uma obra complicada, mas seria um circuito certamente bastante utilizado e potenciador do conhecimento e usufruto desta parte da costa.
Afinal, há muito mais que praia no Algarve…
publicado no Magazine do Algarve
Recortando a costa lacobrigense, descobrindo inúmeras praias e vistas fantásticas, este passeio está estruturado para mostrar, em cerca de 30 a 40 minutos, num pequeno barco a motor, as grutas e cavernas escavadas e encravadas pela natureza na rocha calcária da Ponta da Piedade.
A partida é feita a partir de um pequeno cais existente na foz da ribeira de Bensafrim, na avenida principal da cidade, a poucas centenas de metros da Marina de Lagos.
O “percurso marítimo” vale a pena. Os tons da água translúcida mudam de verde turquesa para o azul cristal, assim como das formações rochosas, dos castanhos ao ocre. Ali encontramos parte importante do património natural do concelho de Lagos, mas também permite vislumbrar parte do importante património histórico desta cidade secular.
Passamos junto ao Forte Ponta da Bandeira, construído nos finais do século XVII para proteger a entrada marítima da cidade, com uma intervenção em 1960, aquando da construção da Avenida dos Descobrimentos, onde foram acrescentadas as 4 guaritas. Avista-se também a Porta de S. Gonçalo, que figura no Brasão da Cidade, assim como os panos de muralhas que cercavam o burgo. A saída da ribeira é feita por entre dois pequenos faróis, o vermelho para dar bombordo e o verde para estibordo. Entramos pelo Atlântico adentro. O mar é normalmente calmo nesta zona. O horizonte é imenso e inspirador…
Passamos pela Praia da Solaria (e do cais com o mesmo nome), depois pela Batata (que ganhou este nome porque os militares jogavam as cascas das batatas aí, quando não se usava ir à praia). Depois a Praias dos Estudantes, Homens e Pinhão, onde existe vestígios de um forte, destruído pelo terramoto de 1755, resta apenas uma parede de pedra… tudo o resto ruiu. Prosseguimos pelas Praias dos Nudistas, D. Ana, Camilo e Canavial.
Depois de “curvar” a ponta, influência do mar do norte, o Atlântico apresenta-se mais picado, mas estava suficiente calmo para prosseguir viagem. Passamos ainda por um pequeno areal, avistando ao fundo a Praia do Porto de Mós. Regressámos.
Existe alguma desorganização nestas rotas, tantas que são as embarcações que exploram este recurso turístico. Embora haja já algum apoio em terra, as saídas não são sincronizadas, o que provoca pequenos “engarrafamentos” na entrada de certas grutas. Não deixa, todavia, de conferir algum colorido.
Deixo também uma nota para o facto de existir a possibilidade de alugar caiaques e fazer esta aventura de forma mais ecológica e desportiva, todavia, sem o benefício das explicações dos experientes barqueiros, que nos vão mostrando figuras de animais e de outros elementos, que a natureza foi “esculpindo” na rocha.
Existe um túnel construído na rocha, que liga algumas destas praias entre si. Infelizmente, com a degradação provocada pela falta de manutenção e pela acção do mar, já não se encontra em condições de utilização plena. É pena que as entidades municipais, que devem defender o património da cidade, tenham descurado sucessivamente este recurso. Impõe-se, na minha opinião, não só a recuperação do túnel/ percurso pedestre, como, por que não, o seu alargamento até onde fosse tecnicamente possível… até à Praia do Porto de Mós, ou mesmo à Praia da Luz. É certo que se trata de uma obra complicada, mas seria um circuito certamente bastante utilizado e potenciador do conhecimento e usufruto desta parte da costa.
Afinal, há muito mais que praia no Algarve…
2006-08-22
Minas de São Domingos
Por Jorge Lami Leal
Publicado no Região Sul
Uma paisagem fora do comum. Uma praia fluvial inusitada. Uma gastronomia de base rural e tradicional. Um local esquecido, distante do buliço urbano. Horas e mais horas de sol ao longo do ano. Várias tapadas com água a temperatura convidativa para um mergulho ou um passeio de canoa. Alojamento para todos os gostos.
Assim se define um destino de férias em estruturação… a seu tempo, este será um destino incontornável na “região” do Baixo Alentejo e Nordeste Algarvio.
A poucos quilómetros de Mértola, surge, bem na fronteira com Espanha, as antigas Minas de São Domingos, local de onde, durante cerca de 100 anos, foram extraídas milhões de toneladas de minério, importante fonte de receitas.
As minas foram exploradas inicialmente pelos Romanos. Foram redescobertas a meio do século XIX e laborou até metade do século XX, concessionadas a uma empresa inglesa. Para ficar com uma ideia da importância das minas, James Mason, um dos sócios da empresa, recebeu títulos nobiliárquicos de D. Luís e D. Carlos, designadamente Barão do Pomarão, Visconde de Mason de São Domingos e Conde do Pomarão.
Existem vários núcleos habitacionais, que resultam das habitações construídas para os trabalhadores e famílias, que vinham um pouco de todo o Alentejo e Algarve, para trabalhar as minas. Existe ainda um núcleo com casas mais espaçosas, e até um cemitério, para os encarregados ingleses. Hoje são maioritariamente casas de férias e residências permanentes da população local.
Nos últimos 4 anos, o esforço de requalificação da restauração e da hotelaria, assim como a criação de percursos e sinalética interpretativa é evidente.
As gentes desta terra ainda hoje cultivam o “saber receber”, um dos atractivos desta região.
Sugestão de percursos:
- Pulo do Lobo
Este local ganhou alguma exposição quando o Prof. Cavaco Silva decidiu fazer aí um retiro, que catapultou o “Pulo do Lobo” em toda a comunicação social nacional. A paisagem rude, o caudal de água e a geologia recortada das margens garantem uma visita incontornável.
- Minas
Partindo do campo de futebol, passando pela antiga entrada na mina, acedemos a uma lagoa de águas pretas, com texturas impossíveis de descrever; segue-se pela estrada de terra batida, onde outrora foi construída a primeira linha-férrea portuguesa, das minas ao porto do Pomarão, e segue-se por entre quilómetros de terra ocre, preta, amarela e outras. Em certos sítios, sentimo-nos num filme de ficção científica, tal é a paleta de cores e os edifícios que integravam a mina.
- Pomarão
Aqui, onde o rio Guadiana parece descansar, podemos aproveitar novamente a hospitalidade das gentes e a oportunidade para admirar a paisagem impar e serena. Um pequeno povoado no fundo de uma escarpa íngreme e solene. Aqui o tempo corre devagar.
Por Jorge Lami Leal
Publicado no Região Sul
Uma paisagem fora do comum. Uma praia fluvial inusitada. Uma gastronomia de base rural e tradicional. Um local esquecido, distante do buliço urbano. Horas e mais horas de sol ao longo do ano. Várias tapadas com água a temperatura convidativa para um mergulho ou um passeio de canoa. Alojamento para todos os gostos.
Assim se define um destino de férias em estruturação… a seu tempo, este será um destino incontornável na “região” do Baixo Alentejo e Nordeste Algarvio.
A poucos quilómetros de Mértola, surge, bem na fronteira com Espanha, as antigas Minas de São Domingos, local de onde, durante cerca de 100 anos, foram extraídas milhões de toneladas de minério, importante fonte de receitas.
As minas foram exploradas inicialmente pelos Romanos. Foram redescobertas a meio do século XIX e laborou até metade do século XX, concessionadas a uma empresa inglesa. Para ficar com uma ideia da importância das minas, James Mason, um dos sócios da empresa, recebeu títulos nobiliárquicos de D. Luís e D. Carlos, designadamente Barão do Pomarão, Visconde de Mason de São Domingos e Conde do Pomarão.
Existem vários núcleos habitacionais, que resultam das habitações construídas para os trabalhadores e famílias, que vinham um pouco de todo o Alentejo e Algarve, para trabalhar as minas. Existe ainda um núcleo com casas mais espaçosas, e até um cemitério, para os encarregados ingleses. Hoje são maioritariamente casas de férias e residências permanentes da população local.
Nos últimos 4 anos, o esforço de requalificação da restauração e da hotelaria, assim como a criação de percursos e sinalética interpretativa é evidente.
As gentes desta terra ainda hoje cultivam o “saber receber”, um dos atractivos desta região.
Sugestão de percursos:
- Pulo do Lobo
Este local ganhou alguma exposição quando o Prof. Cavaco Silva decidiu fazer aí um retiro, que catapultou o “Pulo do Lobo” em toda a comunicação social nacional. A paisagem rude, o caudal de água e a geologia recortada das margens garantem uma visita incontornável.
- Minas
Partindo do campo de futebol, passando pela antiga entrada na mina, acedemos a uma lagoa de águas pretas, com texturas impossíveis de descrever; segue-se pela estrada de terra batida, onde outrora foi construída a primeira linha-férrea portuguesa, das minas ao porto do Pomarão, e segue-se por entre quilómetros de terra ocre, preta, amarela e outras. Em certos sítios, sentimo-nos num filme de ficção científica, tal é a paleta de cores e os edifícios que integravam a mina.
- Pomarão
Aqui, onde o rio Guadiana parece descansar, podemos aproveitar novamente a hospitalidade das gentes e a oportunidade para admirar a paisagem impar e serena. Um pequeno povoado no fundo de uma escarpa íngreme e solene. Aqui o tempo corre devagar.
2006-08-14
Mais um dia…
Publicado no Jornal do Algarve
Escrever sobre o conflito Israelo-árabe é um exercício com algumas nuances e, acima de tudo, um assunto que não cabe em 3.500 caracteres. Nem tenho a veleidade de tentar apresentar um texto profundo e conhecedor. Antes, fica como um registo de pesar, perante uma guerra eminentemente económica, ainda que com contornos religiosos e até xenófobos. Não tomo partido. Principalmente pelo que falta saber, aquilo que se encontra debaixo do pano desta cena tétrica…
É um problema antigo, confirmado por resolução da ONU, instituindo um Estado que ninguém acreditou vir a funcionar e que a sociedade ocidental não consegue resolver.
Um estado criado por via política, mas que já tinha alguns “antecedentes”, designadamente as aquisições de terrenos pela Agência Judaica e o regresso deste povo às suas origens, no final do século XIX e início do XX. Embora maioritariamente infértil, é certo que o engenho, ciência e porque não, perseverança, transformou uma paisagem outrora empobrecida, num território apetecível. Não fossem os Judeus, o que seria hoje do antigo mandato britânico da Palestina…
A instabilidade nos países do Médio Oriente foi estabelecida quando empresas ocidentais iniciaram a exploração do petróleo no Médio Oriente, impondo preços baixos na aquisição, revendendo os subprodutos a preços altos, com grandes margens. Com uma estrutura e organização político-social quasi-medieval (para padrões ocidentais, entenda-se), não foi difícil.
Quando estes países evoluíram para uma concertação de posições, reclamando uma maior participação nos ganhos da actividade, os conflitos iniciaram-se. A cereja no topo do bolo: a criação do estado de Israel.
Mais importante que perceber se foi um erro histórico, importa saber que existiam alternativas mais inócuas, menos agressivas. Chegou a ser colocada a hipótese de “instalar” o Estado de Israel numa província Ultramarina Portuguesa, mas tal foi recusado pelos Judeus.
Foi, por fim, estabelecido. Se foi por tradição, mito ou oportunidade, não vale a pena desenvolver mais sobre isso. Está implantado! Têm armas nucleares, financiamento e apoio político. Têm um importante grupo de pressão (lobby), especialmente junto do Governo dos EUA. Seja qual for a cor política, estão por perto.
Os Judeus, expulsos há dois mil anos da Palestina, foram também, no século XV, expulsos de Portugal e Espanha (ou “convertidos” ao catolicismo). Têm tido uma sina bastante atribulada, com milhões assassinados no decorrer da II Grande Guerra. Mas será justificação para desregular aquele território, com questões religiosas fortes, que ainda servem de Lei, como aliás, há poucos séculos, ocorria nas sociedades ocidentais? Quem quiser que atire a primeira pedra… mas convém não esquecer os telhados de vidro.
A guerra que temos assistido (com alguns actos de terrorismo à mistura), com ampla cobertura televisiva, está a provocar um afastamento e um cansaço no público, que já se adaptou e vai ficando imune às imagens de destruição, que não consegue transmitir o drama das famílias, as habitações destruídas ou os seus haveres e pertences, como simples fotografias da família, dos momentos felizes… tudo aquilo que decidiram acumular. Não imagino o que é perder toda uma vida de recordações (ou de várias vidas e gerações), para além da casa. No limite, perdem a vida como até aqui a conheciam. Interrompendo-a sem saber até quando! Alguns definitivamente…
Claro que existe uma guerra encoberta entre o Irão e os EUA. Um braço de ferro que acredito ter os dias contados. Existe uma tendência natural para o equilíbrio. Uma necessidade económica, também. Embora o preço do barril de crude (referência europeia) esteja já acima dos 75 dólares, parece que este conflito não está a ter um impacto expressivo no ouro negro. Mas cada dólar a mais significa custos enormes. Desde a produção ao comércio (transporte), a dependência é quase total, seja como matéria-prima ou consumível.
Dá vontade de perguntar: quando é que começamos a investir, de forma séria e estruturada, no desenvolvimento de energias alternativas!?!? Renováveis ou não!
Em relação ao conflito… resta resolver este e tentar adiar o próximo, que virá certamente!
Publicado no Jornal do Algarve
Escrever sobre o conflito Israelo-árabe é um exercício com algumas nuances e, acima de tudo, um assunto que não cabe em 3.500 caracteres. Nem tenho a veleidade de tentar apresentar um texto profundo e conhecedor. Antes, fica como um registo de pesar, perante uma guerra eminentemente económica, ainda que com contornos religiosos e até xenófobos. Não tomo partido. Principalmente pelo que falta saber, aquilo que se encontra debaixo do pano desta cena tétrica…
É um problema antigo, confirmado por resolução da ONU, instituindo um Estado que ninguém acreditou vir a funcionar e que a sociedade ocidental não consegue resolver.
Um estado criado por via política, mas que já tinha alguns “antecedentes”, designadamente as aquisições de terrenos pela Agência Judaica e o regresso deste povo às suas origens, no final do século XIX e início do XX. Embora maioritariamente infértil, é certo que o engenho, ciência e porque não, perseverança, transformou uma paisagem outrora empobrecida, num território apetecível. Não fossem os Judeus, o que seria hoje do antigo mandato britânico da Palestina…
A instabilidade nos países do Médio Oriente foi estabelecida quando empresas ocidentais iniciaram a exploração do petróleo no Médio Oriente, impondo preços baixos na aquisição, revendendo os subprodutos a preços altos, com grandes margens. Com uma estrutura e organização político-social quasi-medieval (para padrões ocidentais, entenda-se), não foi difícil.
Quando estes países evoluíram para uma concertação de posições, reclamando uma maior participação nos ganhos da actividade, os conflitos iniciaram-se. A cereja no topo do bolo: a criação do estado de Israel.
Mais importante que perceber se foi um erro histórico, importa saber que existiam alternativas mais inócuas, menos agressivas. Chegou a ser colocada a hipótese de “instalar” o Estado de Israel numa província Ultramarina Portuguesa, mas tal foi recusado pelos Judeus.
Foi, por fim, estabelecido. Se foi por tradição, mito ou oportunidade, não vale a pena desenvolver mais sobre isso. Está implantado! Têm armas nucleares, financiamento e apoio político. Têm um importante grupo de pressão (lobby), especialmente junto do Governo dos EUA. Seja qual for a cor política, estão por perto.
Os Judeus, expulsos há dois mil anos da Palestina, foram também, no século XV, expulsos de Portugal e Espanha (ou “convertidos” ao catolicismo). Têm tido uma sina bastante atribulada, com milhões assassinados no decorrer da II Grande Guerra. Mas será justificação para desregular aquele território, com questões religiosas fortes, que ainda servem de Lei, como aliás, há poucos séculos, ocorria nas sociedades ocidentais? Quem quiser que atire a primeira pedra… mas convém não esquecer os telhados de vidro.
A guerra que temos assistido (com alguns actos de terrorismo à mistura), com ampla cobertura televisiva, está a provocar um afastamento e um cansaço no público, que já se adaptou e vai ficando imune às imagens de destruição, que não consegue transmitir o drama das famílias, as habitações destruídas ou os seus haveres e pertences, como simples fotografias da família, dos momentos felizes… tudo aquilo que decidiram acumular. Não imagino o que é perder toda uma vida de recordações (ou de várias vidas e gerações), para além da casa. No limite, perdem a vida como até aqui a conheciam. Interrompendo-a sem saber até quando! Alguns definitivamente…
Claro que existe uma guerra encoberta entre o Irão e os EUA. Um braço de ferro que acredito ter os dias contados. Existe uma tendência natural para o equilíbrio. Uma necessidade económica, também. Embora o preço do barril de crude (referência europeia) esteja já acima dos 75 dólares, parece que este conflito não está a ter um impacto expressivo no ouro negro. Mas cada dólar a mais significa custos enormes. Desde a produção ao comércio (transporte), a dependência é quase total, seja como matéria-prima ou consumível.
Dá vontade de perguntar: quando é que começamos a investir, de forma séria e estruturada, no desenvolvimento de energias alternativas!?!? Renováveis ou não!
Em relação ao conflito… resta resolver este e tentar adiar o próximo, que virá certamente!
2006-08-08
Verão que vale a pena
Publicado no Magazine do Algarve
Na época balnear, que alternativa apresenta o Algarve, para quem não quer exclusivamente praia e mar?
Esta pergunta é feita por muitos dos turistas que elegem o Algarve como destino de férias, ou para “escapadihas” de fim-de-semana.
Não podemos comparar o património arquitectónico algarvio com, por exemplo, o minhoto. Os efeitos do terramoto (e subsequente maremoto) de 1755 devastaram muitas construções, especialmente dos séculos XVI e XVII, onde se destacam edifícios habitacionais da pequena nobreza e da burguesia mercantil.
Existe todavia, ainda assim, locais para visitar, com interesse paisagista, arqueológico ou arquitectónico, que permitem interlúdios à monocórdica praia! De seguida, deixo algumas dicas de visitas, nas localidades mais turísticas da região.
Faro tem cada vez mais visitantes. A Vila Adentro é incontornável. Cercada por muralhas de origem árabe, com as adaptações, construções e reconstruções do período posterior à reconquista. Ali por perto, a Cerca Seiscentista, embora já quase encoberta por construções posteriores. Outro local a visitar: a atalaia de vigia de costa, que foi reconvertida na Ermida de Santo António do Alto. Estes são apenas alguns dos pontos de interesse, para além de muitos imóveis habitacionais, com predominância para os Oitocentistas, nas principais artérias da baixa comercial.
O Concelho de Albufeira apresenta, desde logo, o Castelo de Paderne (presente na Bandeira Nacional), embora decadente devido à falta de manutenção ao longo de séculos, provocando a erosão da taipa que o sustenta, não deixa de ser um local a visitar. Ali perto existe uma ponte que lhe servia de serventia, recentemente recuperada. Do outro lado, percursos pedestres e uma azenha e açude, na margem da Ribeira de Quarteira. Neste conselho também existe um ponto que recomendo: a Torre da Medronheira, inserida numa das zonas mais turísticas da cidade, servia de torre de vigia e foi construída durante o reinado de D. João III (séc. XVI).
O maior concelho algarvio, Loulé, tem muito património, natural e construído. Destaco a aldeia de Alte e de Salir. Nesta última, as ruínas do Castelo de Salir, de origem muçulmana. As pitorescas casas (ou palheiros) circulares na Freguesia do Ameixial ou um passeio pelas ruas de Querença. Não deixe de visitar as ruelas velhas de Loulé e o Castelo (séc. XIII) que o município está a tornar mais visível, adquirindo imóveis contíguos, para descobrir mais panos de muralha.
Em Portimão encontramos a Fortaleza de Santa Catarina (séc. XVII). Este espaço, que possui um miradouro sobre Rio Arade e a Praia da Rocha, convida a momentos de descontracção… do outro lado da margem, avista-se a Fortaleza e o Castelo de São João do Arade (séc. XV), no concelho de Lagoa.
Para terminar: a cidade dos Descobrimentos. Lagos tem, para além de inúmeras praias, uma história intimamente ligada ao apogeu marítimo português.
Começamos nas muralhas, frente ao Forte da Ponta da Bandeira, passando pelo Castelo, que foi, até ao séc. XVIII, a residência dos Governadores do Reino do Algarve, com o pormenor de uma janela Manuelina onde, segundo as lendas populares, o Rei D. Sebastião rezou antes da partida para Alcácer Quibir. Ali por perto, o armazém do Espingardeiro (séc. XVII), construído a mando do Conde de Avintes, enquanto Governador do Reino do Algarve. Mais em baixo, o Armazém Regimental, também obra do Conde de Avintes (que funciona actualmente como galeria de arte), integrou na sua reconstrução, cantarias e outros elementos de edifícios devastados, no seguimento do terramoto de 1755. Bem perto encontramos o Mercado dos Escravos, edifício do séc. XV, o primeiro do género na Europa, para onde eram trazidos e vendidos os escravos oriundos de Africa…
Estas são apenas algumas sugestões. Uma ínfima parte do vasto património que aguarda pela descoberta e que importa cada vez mais potenciar, organizar e dar visibilidade. Acima de tudo, a região vive do turismo. Há que encontrar todos os nichos possíveis e dinamizá-los. Só assim podemos ser um destino completo e versátil.
Publicado no Magazine do Algarve
Na época balnear, que alternativa apresenta o Algarve, para quem não quer exclusivamente praia e mar?
Esta pergunta é feita por muitos dos turistas que elegem o Algarve como destino de férias, ou para “escapadihas” de fim-de-semana.
Não podemos comparar o património arquitectónico algarvio com, por exemplo, o minhoto. Os efeitos do terramoto (e subsequente maremoto) de 1755 devastaram muitas construções, especialmente dos séculos XVI e XVII, onde se destacam edifícios habitacionais da pequena nobreza e da burguesia mercantil.
Existe todavia, ainda assim, locais para visitar, com interesse paisagista, arqueológico ou arquitectónico, que permitem interlúdios à monocórdica praia! De seguida, deixo algumas dicas de visitas, nas localidades mais turísticas da região.
Faro tem cada vez mais visitantes. A Vila Adentro é incontornável. Cercada por muralhas de origem árabe, com as adaptações, construções e reconstruções do período posterior à reconquista. Ali por perto, a Cerca Seiscentista, embora já quase encoberta por construções posteriores. Outro local a visitar: a atalaia de vigia de costa, que foi reconvertida na Ermida de Santo António do Alto. Estes são apenas alguns dos pontos de interesse, para além de muitos imóveis habitacionais, com predominância para os Oitocentistas, nas principais artérias da baixa comercial.
O Concelho de Albufeira apresenta, desde logo, o Castelo de Paderne (presente na Bandeira Nacional), embora decadente devido à falta de manutenção ao longo de séculos, provocando a erosão da taipa que o sustenta, não deixa de ser um local a visitar. Ali perto existe uma ponte que lhe servia de serventia, recentemente recuperada. Do outro lado, percursos pedestres e uma azenha e açude, na margem da Ribeira de Quarteira. Neste conselho também existe um ponto que recomendo: a Torre da Medronheira, inserida numa das zonas mais turísticas da cidade, servia de torre de vigia e foi construída durante o reinado de D. João III (séc. XVI).
O maior concelho algarvio, Loulé, tem muito património, natural e construído. Destaco a aldeia de Alte e de Salir. Nesta última, as ruínas do Castelo de Salir, de origem muçulmana. As pitorescas casas (ou palheiros) circulares na Freguesia do Ameixial ou um passeio pelas ruas de Querença. Não deixe de visitar as ruelas velhas de Loulé e o Castelo (séc. XIII) que o município está a tornar mais visível, adquirindo imóveis contíguos, para descobrir mais panos de muralha.
Em Portimão encontramos a Fortaleza de Santa Catarina (séc. XVII). Este espaço, que possui um miradouro sobre Rio Arade e a Praia da Rocha, convida a momentos de descontracção… do outro lado da margem, avista-se a Fortaleza e o Castelo de São João do Arade (séc. XV), no concelho de Lagoa.
Para terminar: a cidade dos Descobrimentos. Lagos tem, para além de inúmeras praias, uma história intimamente ligada ao apogeu marítimo português.
Começamos nas muralhas, frente ao Forte da Ponta da Bandeira, passando pelo Castelo, que foi, até ao séc. XVIII, a residência dos Governadores do Reino do Algarve, com o pormenor de uma janela Manuelina onde, segundo as lendas populares, o Rei D. Sebastião rezou antes da partida para Alcácer Quibir. Ali por perto, o armazém do Espingardeiro (séc. XVII), construído a mando do Conde de Avintes, enquanto Governador do Reino do Algarve. Mais em baixo, o Armazém Regimental, também obra do Conde de Avintes (que funciona actualmente como galeria de arte), integrou na sua reconstrução, cantarias e outros elementos de edifícios devastados, no seguimento do terramoto de 1755. Bem perto encontramos o Mercado dos Escravos, edifício do séc. XV, o primeiro do género na Europa, para onde eram trazidos e vendidos os escravos oriundos de Africa…
Estas são apenas algumas sugestões. Uma ínfima parte do vasto património que aguarda pela descoberta e que importa cada vez mais potenciar, organizar e dar visibilidade. Acima de tudo, a região vive do turismo. Há que encontrar todos os nichos possíveis e dinamizá-los. Só assim podemos ser um destino completo e versátil.
2006-07-25
2006-07-10
2006-07-09
A recepção da Selecção Nacional foi o momento mais alto destes últimos tempos de Mundial-mania. Embora não tenham trazido a taça, trouxeram o orgulho de um bom resultado e de alguma esperança. É futebol, pois é, podia ser noutra coisa qualquer… mas é um ponto de partida.
Portugal segue dentro de momentos… depois deste curto intervalo!
Portugal segue dentro de momentos… depois deste curto intervalo!
2006-07-06
Recebi um e-mail com as alterações ao código da estrada. Achei a maioria justa. Três pontos levantaram-me dúvidas:
1. Os candidatos à obtenção da carta de condução já só necessitam saber ler e escrever. Este ponto entra em conflito com a política educativa. Pessoalmente defendo que os candidatos deveriam ter no mínimo a escolaridade mínima obrigatória (9.º ano), pelo menos aqueles com idade inferior a 35 anos. Se é mínima e obrigatório, é para cumprir! Ou não é!?!?
2. É proibido parar ou estacionar no interior das rotundas e a menos de 5 metros destas. Muito bem. Já era assim, pesno e concordo. Mas da próxima vez que a polícia ou guarda me mandar parar em plena rotunda… Não deveriam evitar operações STOP nas rotundas? Ainda esta manhã vi um carro da PSP parado em plena rotunda, tive de mudar de faixa e voltar a entrar. E estava simplesmente estacionado, com bastante espaço fora da rotunda… enfim…
3. Fiquei a saber que é proibido o estacionamento de veículos ostentando qualquer informação para efeitos de transacção. Este é um ataque flagrante à liberdade individual e até à propriedade privada. Mais, trata-se de uma concessão à indústria automóvel e de revendedores. A nossa sociedade e o ordenamento do espaço são prejudicados porque um veículo anda com uma folha A4 com “quero mudar de dono” escrita? Em Espanha, e nos restantes países da Europa, nem o ano do carro figura na matrícula. Este é outra concessão à indústria automóvel. Já para não falar do “saudoso” K para os usados importados. Enfim…
1. Os candidatos à obtenção da carta de condução já só necessitam saber ler e escrever. Este ponto entra em conflito com a política educativa. Pessoalmente defendo que os candidatos deveriam ter no mínimo a escolaridade mínima obrigatória (9.º ano), pelo menos aqueles com idade inferior a 35 anos. Se é mínima e obrigatório, é para cumprir! Ou não é!?!?
2. É proibido parar ou estacionar no interior das rotundas e a menos de 5 metros destas. Muito bem. Já era assim, pesno e concordo. Mas da próxima vez que a polícia ou guarda me mandar parar em plena rotunda… Não deveriam evitar operações STOP nas rotundas? Ainda esta manhã vi um carro da PSP parado em plena rotunda, tive de mudar de faixa e voltar a entrar. E estava simplesmente estacionado, com bastante espaço fora da rotunda… enfim…
3. Fiquei a saber que é proibido o estacionamento de veículos ostentando qualquer informação para efeitos de transacção. Este é um ataque flagrante à liberdade individual e até à propriedade privada. Mais, trata-se de uma concessão à indústria automóvel e de revendedores. A nossa sociedade e o ordenamento do espaço são prejudicados porque um veículo anda com uma folha A4 com “quero mudar de dono” escrita? Em Espanha, e nos restantes países da Europa, nem o ano do carro figura na matrícula. Este é outra concessão à indústria automóvel. Já para não falar do “saudoso” K para os usados importados. Enfim…
2006-07-05
Reflexos de reflexões irreflectidas…
Publicado no Jornal do Algarve
Mundial
O futebol é realmente um fenómeno que dificilmente pode ser justificado. Da paixão clubista, chegamos, de tantos em tantos anos, à paixão patriótica. Içam-se as bandeiras, colocam-se os cachecóis aos ombros, fazem-se tops com bandeiras, enfim, há de tudo. O país está ao rubro. Melhor, está verde e rubro. A vitória é a locomotiva, embora efémera.
Em breve, renascerá o país normal, das rotinas contínuas.
Acho incrível faltar ao emprego, mudar uma sessão parlamentar, não fechar um trabalho, enfim, descurar as responsabilidades em nome do “desporto-rei”.
Mas também, há que ser honesto, faltam motivos que justifiquem ou, pelo menos, potenciem alguma euforia colectiva, aquele sentimento latente de “portugalidade”… esmagado por décadas de sentimentos de culpa.
Mas aí está uma desculpa, tão boa quanto qualquer outra. Nestes jogadores, excessivamente pagos e adulados, reside a essência daquilo a que podemos chamar esperança. Mesmo que seja de coisa alguma…
Canhestros
O Primeiro-ministro anunciou que o país está finalmente ligado em Banda Larga. A nova literacia passa por aí. Mas é apenas uma nota de rodapé, nos problemas estruturais que temos nesta área.
Lista Negra
A lista que os merceeiros colocavam nas montras, vexando os clientes mais faltosos ao pagamento das respectivas “contas”, vai ser recuperada como instrumento de recuperação de dívidas fiscais. Bem feito.
E-mails para todos
O choque tecnológico na sua verdadeira acepção. Sim, todos os portugueses terão a sua caixa de correio electrónico. A Sra. Vicencia já conta os dias para poder receber os seus mails e pagar as suas contas, só tem um problema: a electricidade ainda não chegou à sua aldeia. Mas isso é apenas um ruído de fundo neste Portug@l.
OTA e TGV
Parece que sempre avança… serão os primeiros efeitos da silly season?
Jardim da Alameda João de Deus
Já não ia ao Jardim da Alameda há bastante tempo. Recordo-me deste espaço, já um pouco decadente, embora agradável q.b. para ler um livro ou dar um passeio, especialmente em dias de calor, já que as árvores altas e a vegetação densa criam um ambiente fresco.Esta infra-estrutura foi recuperada pela Câmara Municipal de Faro, reaberto em Agosto de 2005 com uma nova face. Hoje, ombreia com os melhores jardins de Portugal. São 2 hectares de lazer. Tem Internet grátis (com espaço Internet e Wi-Fi para quem tenha o equipamento necessário), um renovado mini-golfe, café e um Parque Geriátrico. Este último equipamento permite a manutenção física dos mais idosos. Uma excelente ideia! Um verdadeiro serviço público… e a escassos metros da Biblioteca Municipal.
Publicado no Jornal do Algarve
Mundial
O futebol é realmente um fenómeno que dificilmente pode ser justificado. Da paixão clubista, chegamos, de tantos em tantos anos, à paixão patriótica. Içam-se as bandeiras, colocam-se os cachecóis aos ombros, fazem-se tops com bandeiras, enfim, há de tudo. O país está ao rubro. Melhor, está verde e rubro. A vitória é a locomotiva, embora efémera.
Em breve, renascerá o país normal, das rotinas contínuas.
Acho incrível faltar ao emprego, mudar uma sessão parlamentar, não fechar um trabalho, enfim, descurar as responsabilidades em nome do “desporto-rei”.
Mas também, há que ser honesto, faltam motivos que justifiquem ou, pelo menos, potenciem alguma euforia colectiva, aquele sentimento latente de “portugalidade”… esmagado por décadas de sentimentos de culpa.
Mas aí está uma desculpa, tão boa quanto qualquer outra. Nestes jogadores, excessivamente pagos e adulados, reside a essência daquilo a que podemos chamar esperança. Mesmo que seja de coisa alguma…
Canhestros
O Primeiro-ministro anunciou que o país está finalmente ligado em Banda Larga. A nova literacia passa por aí. Mas é apenas uma nota de rodapé, nos problemas estruturais que temos nesta área.
Lista Negra
A lista que os merceeiros colocavam nas montras, vexando os clientes mais faltosos ao pagamento das respectivas “contas”, vai ser recuperada como instrumento de recuperação de dívidas fiscais. Bem feito.
E-mails para todos
O choque tecnológico na sua verdadeira acepção. Sim, todos os portugueses terão a sua caixa de correio electrónico. A Sra. Vicencia já conta os dias para poder receber os seus mails e pagar as suas contas, só tem um problema: a electricidade ainda não chegou à sua aldeia. Mas isso é apenas um ruído de fundo neste Portug@l.
OTA e TGV
Parece que sempre avança… serão os primeiros efeitos da silly season?
Jardim da Alameda João de Deus
Já não ia ao Jardim da Alameda há bastante tempo. Recordo-me deste espaço, já um pouco decadente, embora agradável q.b. para ler um livro ou dar um passeio, especialmente em dias de calor, já que as árvores altas e a vegetação densa criam um ambiente fresco.Esta infra-estrutura foi recuperada pela Câmara Municipal de Faro, reaberto em Agosto de 2005 com uma nova face. Hoje, ombreia com os melhores jardins de Portugal. São 2 hectares de lazer. Tem Internet grátis (com espaço Internet e Wi-Fi para quem tenha o equipamento necessário), um renovado mini-golfe, café e um Parque Geriátrico. Este último equipamento permite a manutenção física dos mais idosos. Uma excelente ideia! Um verdadeiro serviço público… e a escassos metros da Biblioteca Municipal.
2006-07-04
"Selo" ou não "selo", eis a questão
Todos os anos fico chocado. Um motociclo que tenha mais de 750cc paga 99,68€. Ou seja, o dobro de um carro a gasóleo com 3000cc… e ainda reclamam quando estacionamos num qualquer lugar destinado ao parqueamento de viaturas (seja de que tipo for).
Qual é o desgaste que uma moto com 200 ou 300 quilos, até 1,5 metros de comprimento, faz na via pública? Polui menos, consome menos, enfim…
É de facto uma injustiça. Mas é pagar… e “mai” nada!!
Já agora, um aplauso para a possibilidade de adquirir o dístico pela Net!
[Pagar]
[Imposto Municipal Sobre Veículos - Tabelas das taxas para 2006]
Todos os anos fico chocado. Um motociclo que tenha mais de 750cc paga 99,68€. Ou seja, o dobro de um carro a gasóleo com 3000cc… e ainda reclamam quando estacionamos num qualquer lugar destinado ao parqueamento de viaturas (seja de que tipo for).
Qual é o desgaste que uma moto com 200 ou 300 quilos, até 1,5 metros de comprimento, faz na via pública? Polui menos, consome menos, enfim…
É de facto uma injustiça. Mas é pagar… e “mai” nada!!
Já agora, um aplauso para a possibilidade de adquirir o dístico pela Net!
[Pagar]
[Imposto Municipal Sobre Veículos - Tabelas das taxas para 2006]
2006-07-03
2006-07-01
2006-06-29
2006-06-27
2006-06-26
Banda larga em Canhestros! [ver aqui]
Estive lá há umas semanas… pelos vistos ainda sem “banda”! Aqui fica a direcção para os interessados.
E Canhestros, no concelho de Silves, já tem banda larga??
Estive lá há umas semanas… pelos vistos ainda sem “banda”! Aqui fica a direcção para os interessados.
E Canhestros, no concelho de Silves, já tem banda larga??
2006-06-25
2006-06-19
Pagar impostos é uma chatice, convenhamos. Existem alguns que o contribuinte tem uma noção da sua necessidade, até porque usufrui da sua aplicação.
Em relação aos descontos que fazemos para a Segurança Social (não a nossa, mas a dos outros) já o assunto não é linear. A geração actual de contribuintes está a pagar as gerações de reformados, uns que nunca descontaram, ou pouco, outros que por questões de putativa justiça social, devem ser protegidos, pois não podem alterar as “regras do jogo” para estes cidadãos da república portuguesa… a piada é que para estes cidadãos receberem as suas pensões, exige um esforço extra de nós, que só receberemos uma parte muito pequena daquilo que descontamos. Uma vez mais, penalizam-se quem está a produzir em detrimento dos outros, assim se sustenta o actual modelo de segurança social, o tal estado previdência.
Num artigo de opinião publicado no mês passado na revista Atlântico, Pedro Ferraz da Costa defendia que os melhores terão tendência para sair do País, trocando-o por um outro que lhes dê melhor retorno. É a teoria do custo-benefício… investir num Estado que nos dê garantias de rentabilidade no futuro, i.e. uma reforma adequada ao esforço realizado ao longo da carreira contributiva, é mais acertado do que continuar a sustentar um Estado que em vez de reduzir despesa, aumenta a carga fiscal, como forma de aumentar os gastos. Parece a inversão de uma lógica de gestão pura e simples.
Já cantava Jorge Palma: Ai, Portugal, Portugal, do que é que estás à espera… tens o pé numa galera, outro no fundo do mar…
Em relação aos descontos que fazemos para a Segurança Social (não a nossa, mas a dos outros) já o assunto não é linear. A geração actual de contribuintes está a pagar as gerações de reformados, uns que nunca descontaram, ou pouco, outros que por questões de putativa justiça social, devem ser protegidos, pois não podem alterar as “regras do jogo” para estes cidadãos da república portuguesa… a piada é que para estes cidadãos receberem as suas pensões, exige um esforço extra de nós, que só receberemos uma parte muito pequena daquilo que descontamos. Uma vez mais, penalizam-se quem está a produzir em detrimento dos outros, assim se sustenta o actual modelo de segurança social, o tal estado previdência.
Num artigo de opinião publicado no mês passado na revista Atlântico, Pedro Ferraz da Costa defendia que os melhores terão tendência para sair do País, trocando-o por um outro que lhes dê melhor retorno. É a teoria do custo-benefício… investir num Estado que nos dê garantias de rentabilidade no futuro, i.e. uma reforma adequada ao esforço realizado ao longo da carreira contributiva, é mais acertado do que continuar a sustentar um Estado que em vez de reduzir despesa, aumenta a carga fiscal, como forma de aumentar os gastos. Parece a inversão de uma lógica de gestão pura e simples.
Já cantava Jorge Palma: Ai, Portugal, Portugal, do que é que estás à espera… tens o pé numa galera, outro no fundo do mar…
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