
2007-03-11
2007-03-03
Será Paulo Portas o líder que o CDS necessita para integrar o governo em 2009?
Esta questão estará eventualmente na cabeça de algumas pessoas. Especialmente do PSD. Aquele que facilitou um governo de centro-direita estará agora a preparar espaço para um governo de centro-esquerda?
Paulo Portas é em muitas coisas um político como os outros. É o Paulinho dos mercados, como qualquer outro político português, que certamente tem a sua quota de feiras e mercados no “currículo”. Ainda que a classe política considere este estilo tão ignóbil como atractivo, dependente do momento político, designadamente se eleitoral ou não.
PP tem alguma coisa que assusta muitos. Tem qualquer coisa que atrai tantos. Seja a sua hábil e bem estruturada retórica, ou uma qualidade argumentativa de nível superior. Seja porque motivo for, é bem provável que até no PS já estejam a traçar “cenários”, especialmente alguns dos ministros que esperam aguentar-se até 2009 e depois disso também… que podem bem ter que fazer um “upgrade” para qualquer nomeação dourada em Bruxelas, Estrasburgo, Nova Iorque… ou até mesmo Lisboa…
Não considero Paulo Portas uma ameaça ao PSD. O PSD tem conseguido desempenhar esse papel sozinho. Provavelmente por falta de um adversário aguerrido no espaço político designado de centro-direita.
Paulo Portas pode bem ser a diferença entre a monotonia político-partidária em que nos encontramos. O passeio Sócrates-Cavaco que tem manietado tanto o PS, como o PSD e CDP-PP pode estar a acabar.
Parece que existe no horizonte um PP (Partido Popular) sem CDS, mas com PP (Paulo Portas)!
Muda e ficará tudo igual. Que raio de vida política a nossa… ao menos a Madeira conseguiu prolongar o Carnaval…
......................
Museu Salazar
Uma coisa é considerar o 25 de Abril um dia de libertação. Uma coisa é defender acerrimamente a democracia, o Estado de Direito, as conquistas que foram conseguidas por causa do “25 de Abril”. O facto de conseguirmos escrever o que pensamos, e de ler, ver, ouvir o que queremos. Organizar uma manifestação contra a criação de um Museu, ainda que para documentar o nosso famigerado ditador, é uma falta de espírito democrático. Democracia é também aceitar a diferença, seja ela, no limite, a sua antítese.
Eu sou, por exemplo, dos que pensam que a Ponte sobre o Tejo deveria continuar-se a chamar Salazar. Não é apagando da vista que se apaga da memória. E NUNCA devemos esquecer o passado. Este foi um erro cometido no calor da revolução e no tempo que se seguiu. É preciso falar, desmistificar, não direi banalizar, mas aprofundar o conhecimento que as novas gerações devem ter do nosso passado recente. Tão importante como conhecer a história da fundação de Portugal, da nossa giesta marítima, é perceber como era o Portugal no início do século XX, como criou espaço para as alterações de regime que ao mesmo tempo que estancou politicamente o País, desmoralizado e em ruptura, estabilizou-o. Mas depois atrasou-o significativamente nas décadas que se seguiram, atrasando-o, para além de economicamente, também moral (valores), social e culturalmente.
Viva a democracia que nos permite ser. Deixemos que os outros o sejam também…
Esta questão estará eventualmente na cabeça de algumas pessoas. Especialmente do PSD. Aquele que facilitou um governo de centro-direita estará agora a preparar espaço para um governo de centro-esquerda?
Paulo Portas é em muitas coisas um político como os outros. É o Paulinho dos mercados, como qualquer outro político português, que certamente tem a sua quota de feiras e mercados no “currículo”. Ainda que a classe política considere este estilo tão ignóbil como atractivo, dependente do momento político, designadamente se eleitoral ou não.
PP tem alguma coisa que assusta muitos. Tem qualquer coisa que atrai tantos. Seja a sua hábil e bem estruturada retórica, ou uma qualidade argumentativa de nível superior. Seja porque motivo for, é bem provável que até no PS já estejam a traçar “cenários”, especialmente alguns dos ministros que esperam aguentar-se até 2009 e depois disso também… que podem bem ter que fazer um “upgrade” para qualquer nomeação dourada em Bruxelas, Estrasburgo, Nova Iorque… ou até mesmo Lisboa…
Não considero Paulo Portas uma ameaça ao PSD. O PSD tem conseguido desempenhar esse papel sozinho. Provavelmente por falta de um adversário aguerrido no espaço político designado de centro-direita.
Paulo Portas pode bem ser a diferença entre a monotonia político-partidária em que nos encontramos. O passeio Sócrates-Cavaco que tem manietado tanto o PS, como o PSD e CDP-PP pode estar a acabar.
Parece que existe no horizonte um PP (Partido Popular) sem CDS, mas com PP (Paulo Portas)!
Muda e ficará tudo igual. Que raio de vida política a nossa… ao menos a Madeira conseguiu prolongar o Carnaval…
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Museu Salazar
Uma coisa é considerar o 25 de Abril um dia de libertação. Uma coisa é defender acerrimamente a democracia, o Estado de Direito, as conquistas que foram conseguidas por causa do “25 de Abril”. O facto de conseguirmos escrever o que pensamos, e de ler, ver, ouvir o que queremos. Organizar uma manifestação contra a criação de um Museu, ainda que para documentar o nosso famigerado ditador, é uma falta de espírito democrático. Democracia é também aceitar a diferença, seja ela, no limite, a sua antítese.
Eu sou, por exemplo, dos que pensam que a Ponte sobre o Tejo deveria continuar-se a chamar Salazar. Não é apagando da vista que se apaga da memória. E NUNCA devemos esquecer o passado. Este foi um erro cometido no calor da revolução e no tempo que se seguiu. É preciso falar, desmistificar, não direi banalizar, mas aprofundar o conhecimento que as novas gerações devem ter do nosso passado recente. Tão importante como conhecer a história da fundação de Portugal, da nossa giesta marítima, é perceber como era o Portugal no início do século XX, como criou espaço para as alterações de regime que ao mesmo tempo que estancou politicamente o País, desmoralizado e em ruptura, estabilizou-o. Mas depois atrasou-o significativamente nas décadas que se seguiram, atrasando-o, para além de economicamente, também moral (valores), social e culturalmente.
Viva a democracia que nos permite ser. Deixemos que os outros o sejam também…
VOX POPULI?
Publicado no Região Sul
O acesso ao poder está condicionado. São os entraves à renovação, a ausência de projectos catalizadores, são os ciclos políticos demasiado curtos, que impedem que muitos objectivos sejam atingidos ou que o sejam fora do momento político adequado. Também pelo descrédito a que esta actividade foi votada e a pouca adesão da população em geral que se lhe seguiu, que limita-se a votar esporadicamente e a contribuir fiscalmente quando obrigado.
A grande política e os momentos eleitorais estão condicionados a montante pela forma de chegar ao poder. Muitas das organizações locais dos Partidos estão vazias de contribuição regular, de reflexão e elaboração de trabalho político contínuo. Resumem-se a sedes, semelhantes a clubes recreativos de bairro, que são excelentes para passar uns bons momentos, mas que defraudam o seu fim. Estão por isso à deriva, desfalecidas. Pior quando são Poder, central ou local, pouco importa. Nem tudo é assim… mas muito é assim…
As orquestrações que são feitas, como a habilidade de “produzir” militantes fiéis, preferencialmente sem grandes comprometimentos ideológicos, sem outras fidelidades que não seja a quem paga as suas quotas, tem anestesiado as organizações de base, que acordam invariavelmente nas eleições internas que contenham momentos eleitorais externos, escolha de listas.
Hoje não existem projectos. Se existem não conseguem sobreviver por falta de “oxigénio”. A famigerada “contagem de espingardas” não se coaduna com ideias. É assim que se parte actualmente para uma luta partidária. Ou então verifica-se a hegemonia do consenso. Que provavelmente ainda é pior. Depois disso, tudo fica na mesma.
Ainda assim, defendo que o nosso regime deve ser sustentado nos Partidos, apesar de concordar que deve ser garantido espaço para grupos independentes, a tónica da vida política deve ser centrada e liderada pelos Partidos. Porquê? Por motivos que ao mesmo tempo que consubstanciam a minha afirmação, também a contrariam.
Os Partidos garantem uma maior abrangência de espectros, são bandeiras dos seus projectos, que são facilmente identificáveis, seja pela matriz ideológica, seja pela programática. Esta vantagem é tanto maior se pensarmos que os Partidos diminuem o risco de grupos de interesses específicos tomarem o “Poder” de assalto. Por outro lado, devido à necessidade de poder, logo de financiamento, são permeáveis a interesses.
Não estou convencido que a renovação de quadros altere profundamente o descrédito. A moralização deve passar pelo estímulo de comportamentos Éticos e embora norteados pelos projectos políticos, assentes naquilo que são os melhores interesses para Portugal, esta abstracção deve significar a melhoria do futuro dos portugueses em geral. A refundação do sistema é de certa forma uma utopia. Não porque seja impossível, mas porque pouco mudava. A tónica deve ser a Formação e essencialmente a Educação e Cultura. Só por esta via conseguiremos, daqui a duas ou mais gerações, produzir um País que seja capaz de voltar a confiar nos seus políticos. O mesmo é dizer, capazes de assumir verdadeiramente a condição de cidadãos.
"A democracia é a pior forma de governo, excepto de todas as outras formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos"
(Winston Churchill)
Publicado no Região Sul
O acesso ao poder está condicionado. São os entraves à renovação, a ausência de projectos catalizadores, são os ciclos políticos demasiado curtos, que impedem que muitos objectivos sejam atingidos ou que o sejam fora do momento político adequado. Também pelo descrédito a que esta actividade foi votada e a pouca adesão da população em geral que se lhe seguiu, que limita-se a votar esporadicamente e a contribuir fiscalmente quando obrigado.
A grande política e os momentos eleitorais estão condicionados a montante pela forma de chegar ao poder. Muitas das organizações locais dos Partidos estão vazias de contribuição regular, de reflexão e elaboração de trabalho político contínuo. Resumem-se a sedes, semelhantes a clubes recreativos de bairro, que são excelentes para passar uns bons momentos, mas que defraudam o seu fim. Estão por isso à deriva, desfalecidas. Pior quando são Poder, central ou local, pouco importa. Nem tudo é assim… mas muito é assim…
As orquestrações que são feitas, como a habilidade de “produzir” militantes fiéis, preferencialmente sem grandes comprometimentos ideológicos, sem outras fidelidades que não seja a quem paga as suas quotas, tem anestesiado as organizações de base, que acordam invariavelmente nas eleições internas que contenham momentos eleitorais externos, escolha de listas.
Hoje não existem projectos. Se existem não conseguem sobreviver por falta de “oxigénio”. A famigerada “contagem de espingardas” não se coaduna com ideias. É assim que se parte actualmente para uma luta partidária. Ou então verifica-se a hegemonia do consenso. Que provavelmente ainda é pior. Depois disso, tudo fica na mesma.
Ainda assim, defendo que o nosso regime deve ser sustentado nos Partidos, apesar de concordar que deve ser garantido espaço para grupos independentes, a tónica da vida política deve ser centrada e liderada pelos Partidos. Porquê? Por motivos que ao mesmo tempo que consubstanciam a minha afirmação, também a contrariam.
Os Partidos garantem uma maior abrangência de espectros, são bandeiras dos seus projectos, que são facilmente identificáveis, seja pela matriz ideológica, seja pela programática. Esta vantagem é tanto maior se pensarmos que os Partidos diminuem o risco de grupos de interesses específicos tomarem o “Poder” de assalto. Por outro lado, devido à necessidade de poder, logo de financiamento, são permeáveis a interesses.
Não estou convencido que a renovação de quadros altere profundamente o descrédito. A moralização deve passar pelo estímulo de comportamentos Éticos e embora norteados pelos projectos políticos, assentes naquilo que são os melhores interesses para Portugal, esta abstracção deve significar a melhoria do futuro dos portugueses em geral. A refundação do sistema é de certa forma uma utopia. Não porque seja impossível, mas porque pouco mudava. A tónica deve ser a Formação e essencialmente a Educação e Cultura. Só por esta via conseguiremos, daqui a duas ou mais gerações, produzir um País que seja capaz de voltar a confiar nos seus políticos. O mesmo é dizer, capazes de assumir verdadeiramente a condição de cidadãos.
"A democracia é a pior forma de governo, excepto de todas as outras formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos"
(Winston Churchill)
Moral e bons costumes
Publicado no Jornal do Algarve
A Ética é, acima de tudo, um valor moral. São mesmo sinónimos, a primeira deriva do grego, a segunda do latim. Está presente na nossa matriz cultural e no código de conduta das sociedades, pelo menos na maioria das sociedades. É certo que o é num nível filosófico e doutrinal. A antropologia cultural dedica-se a este estudo, que estabelece critérios comparativos entre estádios evolutivos. A transmissão de padrões sociais não é mais que o resultado da evolução das estruturas primitivas, dos equilíbrios instintivos e baseados na força, para uma sociedade com preceitos e padrões de conduta aceites e promovidos.
Seria eventualmente impossível estruturar um grupo em torno de condutas desviantes, contrárias aos melhores interesses de uma comunidade. A introdução da religião, veio de certa forma normalizar e apoiar a construção de normas que, a par da lei, penalizavam os comportamentos inaceitáveis segundo as regras, punidas pelos Deuses das sociedades politeístas e, depois, nas monoteístas, especialmente com o estabelecimento da Igreja Católica Apostólica Romana, que soube como ninguém promover o medo (temência). Apoiada na noção de culpa e subsequente punição.
É certo que não podemos relevar que foram precisamente esses séculos de “ocupação” religiosa que nos formataram e garantiram, a par das reflexões e ensinamentos de filósofos e de tantos outros pensadores, as ferramentas para uma vivência social minimamente estruturada. Actualmente a fé já não desempenha este papel, já que os sistemas normativos, a par do desenvolvimento dos Estados, especialmente do poder judicial e das forças de segurança, vieram ocupar completamente este espaço. E com vantagens…
Os conceitos morais estão presentes em todas as pessoas que não tenham uma patologia anti-social desviante e que por isso não estejam cientes dos limites ou sejam incapazes de sentir remorsos, culpa, etc. Mas a prática individual pode divergir.
A Ética é um conceito evolutivo. Até comparativo. Os padrões actuais são estabelecidos com base nas correntes filosóficas (e da prática) de uma era onde estes assuntos eram uma ocupação de uma elite de pensadores livres, aos quais muito devemos.
Mas nos negócios, nas empresas, no Estado, enfim, um pouco por todo o lado, os comportamentos são cada vez menos adequados. Desde o aumento da fuga aos impostos; da corrupção instalada: da pequena e da grande; da falta de responsabilidade para com o empregador: comportamentos abusivos, baixas médicas indevidas, etc.; passando também pela irresponsabilidade de muitos empregadores: sem formação ou capacidade para assumir a importante tarefa de gerir uma organização, da qual dependem famílias e outras organizações…
Estes conceitos (em Portugal) vão sendo introduzidos nas Escolas de Gestão, entre outras, mas são conceitos que devem ser alargados à formação básica do cidadão. A Ética é tão importante como o Inglês ou a Matemática.
“Onde quer que se descuide da educação, o Estado sofre um golpe nocivo”
(Aristóteles)
Publicado no Jornal do Algarve
A Ética é, acima de tudo, um valor moral. São mesmo sinónimos, a primeira deriva do grego, a segunda do latim. Está presente na nossa matriz cultural e no código de conduta das sociedades, pelo menos na maioria das sociedades. É certo que o é num nível filosófico e doutrinal. A antropologia cultural dedica-se a este estudo, que estabelece critérios comparativos entre estádios evolutivos. A transmissão de padrões sociais não é mais que o resultado da evolução das estruturas primitivas, dos equilíbrios instintivos e baseados na força, para uma sociedade com preceitos e padrões de conduta aceites e promovidos.
Seria eventualmente impossível estruturar um grupo em torno de condutas desviantes, contrárias aos melhores interesses de uma comunidade. A introdução da religião, veio de certa forma normalizar e apoiar a construção de normas que, a par da lei, penalizavam os comportamentos inaceitáveis segundo as regras, punidas pelos Deuses das sociedades politeístas e, depois, nas monoteístas, especialmente com o estabelecimento da Igreja Católica Apostólica Romana, que soube como ninguém promover o medo (temência). Apoiada na noção de culpa e subsequente punição.
É certo que não podemos relevar que foram precisamente esses séculos de “ocupação” religiosa que nos formataram e garantiram, a par das reflexões e ensinamentos de filósofos e de tantos outros pensadores, as ferramentas para uma vivência social minimamente estruturada. Actualmente a fé já não desempenha este papel, já que os sistemas normativos, a par do desenvolvimento dos Estados, especialmente do poder judicial e das forças de segurança, vieram ocupar completamente este espaço. E com vantagens…
Os conceitos morais estão presentes em todas as pessoas que não tenham uma patologia anti-social desviante e que por isso não estejam cientes dos limites ou sejam incapazes de sentir remorsos, culpa, etc. Mas a prática individual pode divergir.
A Ética é um conceito evolutivo. Até comparativo. Os padrões actuais são estabelecidos com base nas correntes filosóficas (e da prática) de uma era onde estes assuntos eram uma ocupação de uma elite de pensadores livres, aos quais muito devemos.
Mas nos negócios, nas empresas, no Estado, enfim, um pouco por todo o lado, os comportamentos são cada vez menos adequados. Desde o aumento da fuga aos impostos; da corrupção instalada: da pequena e da grande; da falta de responsabilidade para com o empregador: comportamentos abusivos, baixas médicas indevidas, etc.; passando também pela irresponsabilidade de muitos empregadores: sem formação ou capacidade para assumir a importante tarefa de gerir uma organização, da qual dependem famílias e outras organizações…
Estes conceitos (em Portugal) vão sendo introduzidos nas Escolas de Gestão, entre outras, mas são conceitos que devem ser alargados à formação básica do cidadão. A Ética é tão importante como o Inglês ou a Matemática.
“Onde quer que se descuide da educação, o Estado sofre um golpe nocivo”
(Aristóteles)
2007-02-26
2007-02-18
Não desespere!
Publicado no Região-sul
Os advogados não podem publicitar a sua actividade livremente! Uma empresa tabaqueira também não o pode fazer! As bebidas alcoólicas não podem ser publicitadas em certos períodos do dia!
Serão as situações acima referidas atentados à liberdade? À livre concorrência? Especialmente no caso dos últimos dois produtos, que o Estado, ainda por cima, obriga a maiores contribuições fiscais? Sim e não! Sim, porque se trata de uma preocupação atendível, até face aos custos de tratamento e sociais. Não, porque se reconhecidamente existem elementos nocivos, como no caso do tabaco, deveriam ser proibidos. Mas os lóbis…
Ao contrário de qualquer loja de esquina, consultor, ou banco, que podem bradar aos céus os seus bons serviços, não deixo de achar paradoxal os cartazes publicitários que uma igreja espalhou recentemente em Faro, destacando especialmente um cartaz que diz: “Não desespere! Deus quer e pode fazer um MILAGRE nas suas finanças!”. Fiquei boquiaberto com tamanha desfaçatez. Mas enfim, é apenas a minha opinião…
A publicidade que tenha como objecto ideias de conteúdo religioso são proibidas por força da legislação portuguesa. Não diferencia as situações em que o anunciador é uma entidade confessional.
Neste caso específico junta-se o conceito de publicidade enganosa. Não só o que prometem, como o próprio conceito de Deus, não são passíveis de prova material, remetendo para a fé que cada um tenha. Assim, roçam (ou perfilam-se) na figura da publicidade enganosa e ferem o princípio da veracidade, da identificabilidade e até, na minha opinião, mesmo que não seja jurídica, da licitude.
O Código da Publicidade proíbe, conforme o Art.º 22-B, a publicidade a serviços milagrosos. Estabelece mesmo que a prova deve ser imediata e cientificamente comprovada. Mais um problema, na medida em que o cartaz alude que Deus não só “quer”, como “pode” fazer um “milagre” nas nossas finanças. Ora este conceito é importante. Deus, na sua omnipotência, está disposto a fazer um milagre comezinho nas finanças de quem eventualmente aparecer naquela igreja.
Estou convencido que ou a Igreja Católica já não tem espaço de manobra na gestão dos milagres que podem ser feitos, ou então, prudente, apenas não publicita. É que um milagre destes seria um transtorno para as empresas de crédito “na hora”. É mesmo concorrência desleal. Quem consegue concorrer contra um milagre destes? Ainda por cima, em vez das taxas de juro altíssimas, esta igreja “apenas” cobra o dízimo. É metade do preço praticado pela concorrência… Uma injustiça…
Publicado no Região-sul
Os advogados não podem publicitar a sua actividade livremente! Uma empresa tabaqueira também não o pode fazer! As bebidas alcoólicas não podem ser publicitadas em certos períodos do dia!
Ao contrário de qualquer loja de esquina, consultor, ou banco, que podem bradar aos céus os seus bons serviços, não deixo de achar paradoxal os cartazes publicitários que uma igreja espalhou recentemente em Faro, destacando especialmente um cartaz que diz: “Não desespere! Deus quer e pode fazer um MILAGRE nas suas finanças!”. Fiquei boquiaberto com tamanha desfaçatez. Mas enfim, é apenas a minha opinião…
A publicidade que tenha como objecto ideias de conteúdo religioso são proibidas por força da legislação portuguesa. Não diferencia as situações em que o anunciador é uma entidade confessional.
Neste caso específico junta-se o conceito de publicidade enganosa. Não só o que prometem, como o próprio conceito de Deus, não são passíveis de prova material, remetendo para a fé que cada um tenha. Assim, roçam (ou perfilam-se) na figura da publicidade enganosa e ferem o princípio da veracidade, da identificabilidade e até, na minha opinião, mesmo que não seja jurídica, da licitude.
O Código da Publicidade proíbe, conforme o Art.º 22-B, a publicidade a serviços milagrosos. Estabelece mesmo que a prova deve ser imediata e cientificamente comprovada. Mais um problema, na medida em que o cartaz alude que Deus não só “quer”, como “pode” fazer um “milagre” nas nossas finanças. Ora este conceito é importante. Deus, na sua omnipotência, está disposto a fazer um milagre comezinho nas finanças de quem eventualmente aparecer naquela igreja.
Estou convencido que ou a Igreja Católica já não tem espaço de manobra na gestão dos milagres que podem ser feitos, ou então, prudente, apenas não publicita. É que um milagre destes seria um transtorno para as empresas de crédito “na hora”. É mesmo concorrência desleal. Quem consegue concorrer contra um milagre destes? Ainda por cima, em vez das taxas de juro altíssimas, esta igreja “apenas” cobra o dízimo. É metade do preço praticado pela concorrência… Uma injustiça…
2007-02-01
Sem Grandes Portugueses?
Publicado no Região Sul
Estão “escolhidos” os 100 Grandes Portugueses. Nos 10 primeiros, lá estão, ombro-a-ombro, Salazar e Cunhal. Tanto um como o outro merecedores de figurarem num lote mais alargado… mas não nos 10 primeiros. Mas esta é apenas a minha opinião. Enfim, a escolha está feita e foi auditada pela PricewaterhouseCoopers. Foi a escolha de quem quis votar. Vale o que vale. A RTP conclui assim a primeira parte do seu programa “Os Grandes Portugueses”.
Do lote das 100 personalidades, algumas são de presença questionável, desproporcionada até. São riscos que se correm neste tipo de concursos. Misturar “popularidade” com “feitos”. Até fiquei surpreendido por não existir mais “entulho” entre os nomeados.
Álvaro Cunhal não deixa ninguém indiferente, até um conservador não terá problemas em aceitar que foi um dos homens-chave no combate contra o Estado Novo. Mesmo que não tenha sabido ou conseguido evoluir com o Portugal pós revolucionário, não deixa de ter o seu lugar nos “Grandes Portugueses”. O mesmo para Otelo Saraiva de Carvalho, que também lá está por mérito, apesar do que fez depois. Ter liderado e operacionalizado a revolução de Abril é feito suficiente para não ser esquecido. É que muitas vezes teimamos em considerar a média do que se fez. Somos precisamente o somatório de tudo o que fomos e fizemos, de bom e de mau. Mas devemos destacar, ainda assim, as grandes contribuições.
Voltando a António de Oliveira Salazar, julgo que muitos portugueses ficaram estupefactos quando ouviram o nome do antigo ditador. Especialmente por ter ficado nos 10 primeiros. Mais os que viveram esse período, do que os outros, admito. Faz-me pensar o que diriam os portugueses do século XVIII ao lerem o nome de Sebastião José de Carvalho e Melo!? Não deixa de ser um exercício de reflexão interessante tentar perceber as razões de tal escolha, as motivações, tanto quando for possível extrapolar, especular, teorizar, etc.
Salazar ainda representa uma certa portugalidade envergonhada, pouco afoita aos riscos, tímida e cinzenta. Até atemorizada e pia. É ainda o governante do “Portugal dos pequeninos” que teimamos em soluçar, não olhando para a frente. Considero-o também uma metáfora da nossa tentativa colectiva de esquecer o passado, gorada pela força que fazemos. Fechou-se o ditador no sótão das memórias envergonhadas. Estará por isso sempre presente, ainda que recalcado… pelo menos enquanto não o desprendermos. É necessário esforço para conseguir chegar mais além. Os espanhóis já ultrapassaram Franco, os alemães Hitler, os italianos Mussolini, os Russos Estaline, etc.
Portugal, sem grandes portugueses? Precisamente o contrário. Séculos de história, de conquistas, concessões, criação, invenção, empreendedorismo. O País foi moldado por milhares de personalidades que nos deram a identidade que temos, assim como tantos outros anónimos. Também fomos feitos de pilhagem, massacres, ódios e delírios… tudo isto é Portugal!
Sou português por nascimento, mas muito mais por opção. Este concurso será esquecido, mas espero que tenha tido o mérito de fazer recordar a cepa de onde viemos. Os nossos heróis, os nossos antepassados, os nossos contemporâneos, enfim, aqueles que se destacaram… e foram tantos.
Publicado no Região Sul
Estão “escolhidos” os 100 Grandes Portugueses. Nos 10 primeiros, lá estão, ombro-a-ombro, Salazar e Cunhal. Tanto um como o outro merecedores de figurarem num lote mais alargado… mas não nos 10 primeiros. Mas esta é apenas a minha opinião. Enfim, a escolha está feita e foi auditada pela PricewaterhouseCoopers. Foi a escolha de quem quis votar. Vale o que vale. A RTP conclui assim a primeira parte do seu programa “Os Grandes Portugueses”.
Do lote das 100 personalidades, algumas são de presença questionável, desproporcionada até. São riscos que se correm neste tipo de concursos. Misturar “popularidade” com “feitos”. Até fiquei surpreendido por não existir mais “entulho” entre os nomeados.
Álvaro Cunhal não deixa ninguém indiferente, até um conservador não terá problemas em aceitar que foi um dos homens-chave no combate contra o Estado Novo. Mesmo que não tenha sabido ou conseguido evoluir com o Portugal pós revolucionário, não deixa de ter o seu lugar nos “Grandes Portugueses”. O mesmo para Otelo Saraiva de Carvalho, que também lá está por mérito, apesar do que fez depois. Ter liderado e operacionalizado a revolução de Abril é feito suficiente para não ser esquecido. É que muitas vezes teimamos em considerar a média do que se fez. Somos precisamente o somatório de tudo o que fomos e fizemos, de bom e de mau. Mas devemos destacar, ainda assim, as grandes contribuições.
Voltando a António de Oliveira Salazar, julgo que muitos portugueses ficaram estupefactos quando ouviram o nome do antigo ditador. Especialmente por ter ficado nos 10 primeiros. Mais os que viveram esse período, do que os outros, admito. Faz-me pensar o que diriam os portugueses do século XVIII ao lerem o nome de Sebastião José de Carvalho e Melo!? Não deixa de ser um exercício de reflexão interessante tentar perceber as razões de tal escolha, as motivações, tanto quando for possível extrapolar, especular, teorizar, etc.
Salazar ainda representa uma certa portugalidade envergonhada, pouco afoita aos riscos, tímida e cinzenta. Até atemorizada e pia. É ainda o governante do “Portugal dos pequeninos” que teimamos em soluçar, não olhando para a frente. Considero-o também uma metáfora da nossa tentativa colectiva de esquecer o passado, gorada pela força que fazemos. Fechou-se o ditador no sótão das memórias envergonhadas. Estará por isso sempre presente, ainda que recalcado… pelo menos enquanto não o desprendermos. É necessário esforço para conseguir chegar mais além. Os espanhóis já ultrapassaram Franco, os alemães Hitler, os italianos Mussolini, os Russos Estaline, etc.
Portugal, sem grandes portugueses? Precisamente o contrário. Séculos de história, de conquistas, concessões, criação, invenção, empreendedorismo. O País foi moldado por milhares de personalidades que nos deram a identidade que temos, assim como tantos outros anónimos. Também fomos feitos de pilhagem, massacres, ódios e delírios… tudo isto é Portugal!
Sou português por nascimento, mas muito mais por opção. Este concurso será esquecido, mas espero que tenha tido o mérito de fazer recordar a cepa de onde viemos. Os nossos heróis, os nossos antepassados, os nossos contemporâneos, enfim, aqueles que se destacaram… e foram tantos.
2007-01-30
2007-01-24
Tem uma moedinha!?!
Publicado no Jornal do Algarve
As cidades têm normalmente necessidades de estacionamento. Umas mais, umas muito mais. Por falta de planeamento, de visão integrada e estratégica, de uma política urbanística, enfim, por tantos motivos e mais uns quantos, as cidades foram crescendo, mais intensamente ao longo dos últimos 40 anos, sem que se fossem criando estacionamentos, vias de comunicação com dimensões razoáveis, etc. Piora nos centros históricos, onde tal não é muitas vezes viável, pelo menos sem destruir parte do património construído que os distingue e valoriza.
A colocação de parquímetros permite regular o “mercado”. Sabendo que a oferta de espaços de estacionamento é inferior à procura, especialmente a procura por períodos de curta duração e em certos horários, considero uma forma eficiente de colmatar o problema e promover alguma rotação nos espaços. Devem existir no entanto, tanto quanto possível, alternativas com uma distância aceitável, quer para os residentes, quer para os que trabalham nas zonas adstritas aos parquímetros, que necessitam deixar o carro por períodos de tempo mais prolongados e com regularidade.
O Município de Faro aumentou recentemente a “cobertura” de parquímetros na zona central e comercial da cidade – e bem, entenda-se –. Não disponho de dados objectivos para perceber se esta acção trouxe externalidades positivas ao comércio local, que deveria ser uma das preocupações e até uma das justificações mais fortes para esta política, mas julgo que pelo menos teve a vantagem de facilitar um pouco o estacionamento para quem pretende apenas tratar de um assunto ou fazer uma compra rápida.
Uma putativa externalidade positiva seria a redução ou “extinção” dos arrumadores. Ainda não foi desta que foram destituídos das suas “funções”. Esta verdadeira praga urbana dos tempos modernos, que baseia o seu rendimento na ameaça latente do carro aparecer riscado ou danificado de qualquer outra forma, continuam a desenvolver impunemente a sua “actividade”. Diga-se que o tal rendimento é “livre” de impostos (!?!) e tantas vezes serve para financiar o consumo de estupefacientes! É certo que desaparecem quando os fiscais ou a polícia estão no terreno, mas logo retornam às suas “concessões”. Mesmo quando existem parquímetros, lá estão eles... Um dos locais onde esta situação ocorre, que considero mais escandaloso, é nas imediações do Hospital Distrital de Faro.
Será que ninguém com responsabilidades, designadamente na segurança pública, governo civil ou no município, quer tomar alguma iniciativa no sentido de terminar com esta prática, que em poucos anos alastrou pela baixa e dá uma péssima imagem da capital do distrito?
Outra situação que me surpreendeu negativamente foi quando estacionei o carro, num Sábado de manhã, para tratar de um assunto a escassos 100 metros, prevendo demorar 5 ou 10 minutos (demorei menos!) e fui obrigado a “comprar” 30 minutos de tempo, pois existe um tempo mínimo a cumprir. Mas enfim, pelo menos consegui estacionar, embora não consiga deixar de pensar que é quase um roubo…
Publicado no Jornal do Algarve
As cidades têm normalmente necessidades de estacionamento. Umas mais, umas muito mais. Por falta de planeamento, de visão integrada e estratégica, de uma política urbanística, enfim, por tantos motivos e mais uns quantos, as cidades foram crescendo, mais intensamente ao longo dos últimos 40 anos, sem que se fossem criando estacionamentos, vias de comunicação com dimensões razoáveis, etc. Piora nos centros históricos, onde tal não é muitas vezes viável, pelo menos sem destruir parte do património construído que os distingue e valoriza.
A colocação de parquímetros permite regular o “mercado”. Sabendo que a oferta de espaços de estacionamento é inferior à procura, especialmente a procura por períodos de curta duração e em certos horários, considero uma forma eficiente de colmatar o problema e promover alguma rotação nos espaços. Devem existir no entanto, tanto quanto possível, alternativas com uma distância aceitável, quer para os residentes, quer para os que trabalham nas zonas adstritas aos parquímetros, que necessitam deixar o carro por períodos de tempo mais prolongados e com regularidade.
O Município de Faro aumentou recentemente a “cobertura” de parquímetros na zona central e comercial da cidade – e bem, entenda-se –. Não disponho de dados objectivos para perceber se esta acção trouxe externalidades positivas ao comércio local, que deveria ser uma das preocupações e até uma das justificações mais fortes para esta política, mas julgo que pelo menos teve a vantagem de facilitar um pouco o estacionamento para quem pretende apenas tratar de um assunto ou fazer uma compra rápida.
Uma putativa externalidade positiva seria a redução ou “extinção” dos arrumadores. Ainda não foi desta que foram destituídos das suas “funções”. Esta verdadeira praga urbana dos tempos modernos, que baseia o seu rendimento na ameaça latente do carro aparecer riscado ou danificado de qualquer outra forma, continuam a desenvolver impunemente a sua “actividade”. Diga-se que o tal rendimento é “livre” de impostos (!?!) e tantas vezes serve para financiar o consumo de estupefacientes! É certo que desaparecem quando os fiscais ou a polícia estão no terreno, mas logo retornam às suas “concessões”. Mesmo quando existem parquímetros, lá estão eles... Um dos locais onde esta situação ocorre, que considero mais escandaloso, é nas imediações do Hospital Distrital de Faro.
Será que ninguém com responsabilidades, designadamente na segurança pública, governo civil ou no município, quer tomar alguma iniciativa no sentido de terminar com esta prática, que em poucos anos alastrou pela baixa e dá uma péssima imagem da capital do distrito?
Outra situação que me surpreendeu negativamente foi quando estacionei o carro, num Sábado de manhã, para tratar de um assunto a escassos 100 metros, prevendo demorar 5 ou 10 minutos (demorei menos!) e fui obrigado a “comprar” 30 minutos de tempo, pois existe um tempo mínimo a cumprir. Mas enfim, pelo menos consegui estacionar, embora não consiga deixar de pensar que é quase um roubo…
2006-12-29
É a cultura…
Publicado no Região Sul
Porque motivo estará a cultura quase sempre associada a subsídios públicos? Qual a razão que leva a que determinados segmentos da nossa sociedade considerem contra natura a cultura ser um negócio rentável, gerador de receitas e de impostos?
Sou consumidor de cultura, da subsidiada e da outra. Pago os meus impostos, por isso, considero-me com autoridade (moral) suficiente para discorrer algumas críticas, mas sobretudo apontar evidências…
Os poderes públicos, ou seja, aqueles que nos representam, aplicam os nossos impostos em infra-estruturas, na promoção de eventos, até nas companhias e nos espectáculos.
Mas nem sempre assim é. Estalou no Porto mais um conflito no seguimento da selecção da empresa de Filipe La Féria para a gestão do Rivoli durante quatro anos. Ouvia as declarações da representante de um dos concorrentes que perdeu o concurso, que apoiam a crítica no aumento do preço dos bilhetes, com o subsequente fim dos bilhetes subsidiados, e de alguma diversidade cultural que se vai perder. Posso entender o último motivo, desde que não signifique apoiar cegamente a Cultura que ninguém quer ver, que não enche (ou preenche minimamente) salas e serve apenas alguns, nomeadamente quem as produz, encena e executa!
Considero todavia uma enormidade criticar a escolha deste empresário, que já provou estar no mercado por direito e mérito próprios, pelo provável aumento do custo dos bilhetes! Especialmente quando sabemos que as receitas de bilheteira do Rivoli cobrem tão pouco como 6% dos seus custos!
Na nossa região também existem companhias de teatro, orquestra e um sem número de peças, concertos e tantos outros eventos onde as Câmaras Municipais e outras entidades públicas têm colocado dinheiro, condições, facilidades e outras formas de apoio. Não é que esteja contra, apenas penso que existem áreas mais indicados para investimento público, desde logo nas infra-estruturas e na subvenção de Cultura às novas gerações, criando-lhes apetência e gosto, nos géneros mais variados, estimulando e envolvendo os mais jovens. Estimular também a aprendizagem daquilo que de mais básico ou elaborado é transmitido por esta via, qualquer que seja a forma de arte. No fundo dar a oportunidade, àqueles a que chamamos futuro, de conhecer, experimentar e partilhar os legados plásticos, populares, eruditos, simples ou complexos. É a nossa Cultura, ou a dos outros.
Por isto, por tantos outros motivos, investir deve significar isso mesmo. Retirar rendimento, lucro. Seja ele a atracção de pessoas a espaços desertificados, como as baixas das cidades, ou participar na educação daqueles porque neste momento estamos a trabalhar, a produzir, a pensar, a planear, a executar. Mas sem malbaratar os parcos recursos. É necessário uma estratégia. Tem faltado isso! Só assim perceberemos a motivação do subsídio. Só assim pode ser valorizado. Até porque subsídio está longe de significar “esmola”.
Publicado no Região Sul
Porque motivo estará a cultura quase sempre associada a subsídios públicos? Qual a razão que leva a que determinados segmentos da nossa sociedade considerem contra natura a cultura ser um negócio rentável, gerador de receitas e de impostos?
Sou consumidor de cultura, da subsidiada e da outra. Pago os meus impostos, por isso, considero-me com autoridade (moral) suficiente para discorrer algumas críticas, mas sobretudo apontar evidências…
Os poderes públicos, ou seja, aqueles que nos representam, aplicam os nossos impostos em infra-estruturas, na promoção de eventos, até nas companhias e nos espectáculos.
Mas nem sempre assim é. Estalou no Porto mais um conflito no seguimento da selecção da empresa de Filipe La Féria para a gestão do Rivoli durante quatro anos. Ouvia as declarações da representante de um dos concorrentes que perdeu o concurso, que apoiam a crítica no aumento do preço dos bilhetes, com o subsequente fim dos bilhetes subsidiados, e de alguma diversidade cultural que se vai perder. Posso entender o último motivo, desde que não signifique apoiar cegamente a Cultura que ninguém quer ver, que não enche (ou preenche minimamente) salas e serve apenas alguns, nomeadamente quem as produz, encena e executa!
Considero todavia uma enormidade criticar a escolha deste empresário, que já provou estar no mercado por direito e mérito próprios, pelo provável aumento do custo dos bilhetes! Especialmente quando sabemos que as receitas de bilheteira do Rivoli cobrem tão pouco como 6% dos seus custos!
Na nossa região também existem companhias de teatro, orquestra e um sem número de peças, concertos e tantos outros eventos onde as Câmaras Municipais e outras entidades públicas têm colocado dinheiro, condições, facilidades e outras formas de apoio. Não é que esteja contra, apenas penso que existem áreas mais indicados para investimento público, desde logo nas infra-estruturas e na subvenção de Cultura às novas gerações, criando-lhes apetência e gosto, nos géneros mais variados, estimulando e envolvendo os mais jovens. Estimular também a aprendizagem daquilo que de mais básico ou elaborado é transmitido por esta via, qualquer que seja a forma de arte. No fundo dar a oportunidade, àqueles a que chamamos futuro, de conhecer, experimentar e partilhar os legados plásticos, populares, eruditos, simples ou complexos. É a nossa Cultura, ou a dos outros.
Por isto, por tantos outros motivos, investir deve significar isso mesmo. Retirar rendimento, lucro. Seja ele a atracção de pessoas a espaços desertificados, como as baixas das cidades, ou participar na educação daqueles porque neste momento estamos a trabalhar, a produzir, a pensar, a planear, a executar. Mas sem malbaratar os parcos recursos. É necessário uma estratégia. Tem faltado isso! Só assim perceberemos a motivação do subsídio. Só assim pode ser valorizado. Até porque subsídio está longe de significar “esmola”.
2006-12-23
Natal. O tal. Este, no presente. Com muitos ou poucos presentes. Esquecendo o passado, já usado. Gasto. Não sabendo aprender com ele.
Consumimo-nos, gastamos energias naquilo que de menor relevância tem esta época. Consumimos.
A dádiva da semente, da renovação, do início do acreditar, seja lá o que isso for, quer acreditem ou não que existe um Deus, pode ser rapidamente anestesiada enchendo as artérias de triglicéridos. Tornou-se, mais que uma tradição, uma desculpa. Bendita desculpa, ainda assim.
Nesta época nasce algo que se extingue no dia seguinte. Essa terrível e fátua condição que pára a Terra, mas que é inconsequente, por vezes penso que inconsciente. A sensação é efémera. Ficamo-nos pela perpétua busca, sem nunca encontrar. Apenas dois ou três quilos. Apenas dois ou três dias em família, para os que a têm, com indiferença por tudo o que acontece no mundo. Que é afastado nestes dias, para não estragar o apetite.
Ainda assim, que seja uma altura essencialmente de partilha com aqueles que amamos. Mas que essa partilha seja efectiva. Que permita relembrar quem somos, de quem viemos. Relembremos por isso as histórias que ouvimos ano após ano, sem as quais o Natal não seria Natal.
Que no mínimo estejam as mesmas pessoas que no ano anterior, já que a vida extingue-se e recria-se. Relembremos por isso os que já não estão entre nós. Não com saudade ou tristeza, mas com carinho, recordando –ainda que por pouco tempo– a cor dos seus olhos, daquele sorriso vincado, da sua expressão, da forma como falava ou qualquer coisa que tenha marcado.
Desejo-lhe Boas Festas, um Feliz Natal.
Consumimo-nos, gastamos energias naquilo que de menor relevância tem esta época. Consumimos.
A dádiva da semente, da renovação, do início do acreditar, seja lá o que isso for, quer acreditem ou não que existe um Deus, pode ser rapidamente anestesiada enchendo as artérias de triglicéridos. Tornou-se, mais que uma tradição, uma desculpa. Bendita desculpa, ainda assim.
Nesta época nasce algo que se extingue no dia seguinte. Essa terrível e fátua condição que pára a Terra, mas que é inconsequente, por vezes penso que inconsciente. A sensação é efémera. Ficamo-nos pela perpétua busca, sem nunca encontrar. Apenas dois ou três quilos. Apenas dois ou três dias em família, para os que a têm, com indiferença por tudo o que acontece no mundo. Que é afastado nestes dias, para não estragar o apetite.
Ainda assim, que seja uma altura essencialmente de partilha com aqueles que amamos. Mas que essa partilha seja efectiva. Que permita relembrar quem somos, de quem viemos. Relembremos por isso as histórias que ouvimos ano após ano, sem as quais o Natal não seria Natal.
Que no mínimo estejam as mesmas pessoas que no ano anterior, já que a vida extingue-se e recria-se. Relembremos por isso os que já não estão entre nós. Não com saudade ou tristeza, mas com carinho, recordando –ainda que por pouco tempo– a cor dos seus olhos, daquele sorriso vincado, da sua expressão, da forma como falava ou qualquer coisa que tenha marcado.
Desejo-lhe Boas Festas, um Feliz Natal.
2006-12-18
2006-12-09
Plágios, blogues ou quando a opinião se torna um facto
Publicado na edição "10 Anos" da Magazine do Algarve
Uma possível definição para plágio é: “cópia fraudulenta do trabalho de outrem que um autor apresenta como sua”, segundo o dicionário on-line da Priberan.
Plagiar é um acto reprovável, até imoral. Não faz qualquer sentido criar uma obra literária desta forma. As acusações de que Miguel Sousa Tavares plagiou algumas páginas do seu último livro são inverosímeis! Alguém que utiliza informações sobre pessoas que existiram na época da trama de um romance não é um plagiador. Plagiar seria copiar características de personagens fictícias, não de personalidades históricas.
A putativa origem dessas informações foi “Freedom at Midnight”, uma obra que descreve o final da Índia Britânica, escrito por Dominique Lapierre e Larry Collins. A “notícia” de plágio foi catapultada da “blogosfera” para alguma comunicação social e destes para as conversas de café. Tornou-se um embaraço para Sousa Tavares. É uma acusação gravíssima. Mas quem se der ao trabalho de ler a “bibliografia de consulta do autor”, página 526 da 8.ª edição, encontra referência ao livro de Lapierre e Collins.
Já discordei de análises e opiniões de Miguel Sousa Tavares, mas como autor, classifico-o como um dos “nossos” melhores. A opinião, obviamente, é pessoal.
Se por um lado os blogues ganharam um espaço incontornável no debate de ideias e até na formação de opinião, também pode ser um veículo fácil para exteriorizar alguma inveja. Pior: exteriorizá-la anonimamente. Estou convencido que foi o caso: um best-seller como Equador, assim como a actividade profissional do seu autor e muitas das suas opiniões, têm causado fortes dores de cabeça e de cotovelo. E as segundas doem mais que as primeiras.
Mas vamos ao essencial. Os blogues, a Wikipedia e tantas outras “fontes” que os motores de busca tornam acessíveis, são construídos de acordo com as influências, ideologias, interesses, orientações e opiniões de quem as escreve. Não é redutor. A informação está lá. Convém ser comparada, depois, com outras referências.
Porque motivo surgiu, agora, esta calúnia? Quem tiver oportunidade de ler os textos originais e comparar, vê que a montanha pariu um rato. Afinal, foi mais o fumo do que o fogo. Mas, entretanto, alguém ficou prejudicado. Por sinal o autor, já que o “acusador” decidiu esconder-se no manto do anonimato. Porque razão não assumiu a acusação?
Acabei de tentar aceder ao blogue que acusou Miguel Sousa Tavares. Estava indisponível. Porque será?
O Equador já vendeu cerca de 270 mil exemplares (27 edições de 10.000 exemplares). Parabéns! É merecido. Considero dos melhores romances que li. Que continue a vender como até hoje. Venha o próximo livro!
---
O Magazine do Algarve faz 10 anos. Numa região onde nem sempre é fácil manter a tiragem, mês após mês, ano após ano, o Magazine tem sido uma presença constante. Por isso, pelos temas, pela amplitude de opiniões e pelo esforço assumido de ser uma revista dinâmica, independente e regional, uns sinceros Parabéns.
Publicado na edição "10 Anos" da Magazine do Algarve
Uma possível definição para plágio é: “cópia fraudulenta do trabalho de outrem que um autor apresenta como sua”, segundo o dicionário on-line da Priberan.
Plagiar é um acto reprovável, até imoral. Não faz qualquer sentido criar uma obra literária desta forma. As acusações de que Miguel Sousa Tavares plagiou algumas páginas do seu último livro são inverosímeis! Alguém que utiliza informações sobre pessoas que existiram na época da trama de um romance não é um plagiador. Plagiar seria copiar características de personagens fictícias, não de personalidades históricas.
A putativa origem dessas informações foi “Freedom at Midnight”, uma obra que descreve o final da Índia Britânica, escrito por Dominique Lapierre e Larry Collins. A “notícia” de plágio foi catapultada da “blogosfera” para alguma comunicação social e destes para as conversas de café. Tornou-se um embaraço para Sousa Tavares. É uma acusação gravíssima. Mas quem se der ao trabalho de ler a “bibliografia de consulta do autor”, página 526 da 8.ª edição, encontra referência ao livro de Lapierre e Collins.
Já discordei de análises e opiniões de Miguel Sousa Tavares, mas como autor, classifico-o como um dos “nossos” melhores. A opinião, obviamente, é pessoal.
Se por um lado os blogues ganharam um espaço incontornável no debate de ideias e até na formação de opinião, também pode ser um veículo fácil para exteriorizar alguma inveja. Pior: exteriorizá-la anonimamente. Estou convencido que foi o caso: um best-seller como Equador, assim como a actividade profissional do seu autor e muitas das suas opiniões, têm causado fortes dores de cabeça e de cotovelo. E as segundas doem mais que as primeiras.
Mas vamos ao essencial. Os blogues, a Wikipedia e tantas outras “fontes” que os motores de busca tornam acessíveis, são construídos de acordo com as influências, ideologias, interesses, orientações e opiniões de quem as escreve. Não é redutor. A informação está lá. Convém ser comparada, depois, com outras referências.
Porque motivo surgiu, agora, esta calúnia? Quem tiver oportunidade de ler os textos originais e comparar, vê que a montanha pariu um rato. Afinal, foi mais o fumo do que o fogo. Mas, entretanto, alguém ficou prejudicado. Por sinal o autor, já que o “acusador” decidiu esconder-se no manto do anonimato. Porque razão não assumiu a acusação?
Acabei de tentar aceder ao blogue que acusou Miguel Sousa Tavares. Estava indisponível. Porque será?
O Equador já vendeu cerca de 270 mil exemplares (27 edições de 10.000 exemplares). Parabéns! É merecido. Considero dos melhores romances que li. Que continue a vender como até hoje. Venha o próximo livro!
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O Magazine do Algarve faz 10 anos. Numa região onde nem sempre é fácil manter a tiragem, mês após mês, ano após ano, o Magazine tem sido uma presença constante. Por isso, pelos temas, pela amplitude de opiniões e pelo esforço assumido de ser uma revista dinâmica, independente e regional, uns sinceros Parabéns.
2006-12-01
Dinheiro fácil
Publicado no Região Sul
Aproximamo-nos da altura do ano em que nem só os consumidores compulsivos e os menos moderados descarregam as contas bancárias como se não existisse amanhã.
Neste período natalício, os consumidores são (somos) impactados com muita informação, tantos produtos, inúmeras novidades, algumas raridades e pequenas preciosidades. Tudo para suprir a necessidade suprema de oferecer.
Nada tenho contra o consumo, antes pelo contrário. É um dos motores de qualquer economia, desde que objectivo, informado e dentro dos limites da carteira de cada um. Parece-me um conceito relativamente simples. Mas não é.
Os Portugueses recorrem cada vez mais ao crédito ao consumo, muitas vezes acima da capacidade de endividamento. Isto é de certa forma preocupante. Mas só de certa forma. Tenho um amigo que me chama sempre à atenção para a economia paralela que grassa neste País. Biliões de Euros que circulam por aí, que escapam ao Fisco, que elevam em termos reais a capacidade aquisitiva de muitos portugueses. Podemos explicar o aumento da venda de carros topo-de-gama, ou de condomínios de luxo, porque existe um determinado grupo com alto poder aquisitivo, mas é difícil explicar como foi possível alterar radicalmente o nosso parque automóvel em menos de 10/ 15 anos. Podia recuar mais uma década e aí seria abissal! Ou como foi possível sustentar a subida dos preços do imobiliário nos últimos anos. Hoje compra-se um T3 pelo preço de uma moradia na década de 90. O rendimento das famílias subiu assim tanto?
E fomos a economia que menos cresceu nos últimos anos. Seremos certamente a economia que menos crescerá nos próximos.
Podem tentar justificar o consumo com o recurso ao crédito, mas de facto, para ter crédito, o banco estuda o cliente, atribui-lhe um rating, que não é mais do que avaliar a probabilidade de incumprimento de cada um. Em resumo, a garantia da boa cobrança dos juros e do capital.
Ora aqui entra outra noção interessante: a nossa banca é das mais eficientes ao nível europeu. O crédito mal parado embora a crescer, está garantido e controlado. Depois das sociedades financeiras de aquisições a crédito, apareceram as empresas de recuperação de créditos. Parece pois que estamos a entrar num cerco. Mas se olharmos para os relatórios de contas dos bancos, os seus lucros crescem todos os anos. Bem sei que não posso seguir esta linha de raciocínio minimalista, pois a “coisa” é mais complicada que isto, mas estão reunidas incongruências suficientes.
Publicado no Região Sul
Aproximamo-nos da altura do ano em que nem só os consumidores compulsivos e os menos moderados descarregam as contas bancárias como se não existisse amanhã.
Neste período natalício, os consumidores são (somos) impactados com muita informação, tantos produtos, inúmeras novidades, algumas raridades e pequenas preciosidades. Tudo para suprir a necessidade suprema de oferecer.
Nada tenho contra o consumo, antes pelo contrário. É um dos motores de qualquer economia, desde que objectivo, informado e dentro dos limites da carteira de cada um. Parece-me um conceito relativamente simples. Mas não é.
Os Portugueses recorrem cada vez mais ao crédito ao consumo, muitas vezes acima da capacidade de endividamento. Isto é de certa forma preocupante. Mas só de certa forma. Tenho um amigo que me chama sempre à atenção para a economia paralela que grassa neste País. Biliões de Euros que circulam por aí, que escapam ao Fisco, que elevam em termos reais a capacidade aquisitiva de muitos portugueses. Podemos explicar o aumento da venda de carros topo-de-gama, ou de condomínios de luxo, porque existe um determinado grupo com alto poder aquisitivo, mas é difícil explicar como foi possível alterar radicalmente o nosso parque automóvel em menos de 10/ 15 anos. Podia recuar mais uma década e aí seria abissal! Ou como foi possível sustentar a subida dos preços do imobiliário nos últimos anos. Hoje compra-se um T3 pelo preço de uma moradia na década de 90. O rendimento das famílias subiu assim tanto?
E fomos a economia que menos cresceu nos últimos anos. Seremos certamente a economia que menos crescerá nos próximos.
Podem tentar justificar o consumo com o recurso ao crédito, mas de facto, para ter crédito, o banco estuda o cliente, atribui-lhe um rating, que não é mais do que avaliar a probabilidade de incumprimento de cada um. Em resumo, a garantia da boa cobrança dos juros e do capital.
Ora aqui entra outra noção interessante: a nossa banca é das mais eficientes ao nível europeu. O crédito mal parado embora a crescer, está garantido e controlado. Depois das sociedades financeiras de aquisições a crédito, apareceram as empresas de recuperação de créditos. Parece pois que estamos a entrar num cerco. Mas se olharmos para os relatórios de contas dos bancos, os seus lucros crescem todos os anos. Bem sei que não posso seguir esta linha de raciocínio minimalista, pois a “coisa” é mais complicada que isto, mas estão reunidas incongruências suficientes.
2006-11-29
2006-11-22
Mudar é crescer
Publicado no Jornal do Algarve
Crescer é desenvolver. Desenvolver é mudar, é acreditar que essa mudança introduz uma diferenciação positiva. Com o tempo evoluímos, por vezes quase sem querer ou sem sentir. Seja pela experiência e pelo saber adquiridos, ou pelo simples facto de repensarmos pressupostos e confrontarmo-nos com novas ideias… ou até velhas. Também regredimos. Por vezes estagnamos. Fundamentalmente mudamos. Eu e nós. O individuo e a sociedade.
A busca e a partilha do saber, a opinião adquirida e promovida, a abertura às influências exteriores e uma cultura que facilite o acesso à informação, são pilares do desenvolvimento.
Sabemos hoje que para produzir melhor, necessitamos de mais competências, mais formação especializada, mas também mais cultura. O que fazemos define quem somos. O resto, aquilo que queremos e podemos ser. Apostar nisto não é mais que aprofundar a democracia.
O Governo já fez saber que quer reestruturar o Estado. Não interessa para aqui se o vai tentar ou conseguir. Não interessa para já, também, se a Administração Pública tem muitas ou poucas pessoas, mas definir o que esperamos, enquanto cidadãos, contribuintes e eleitores dessa figura abstracta e tantas vezes retórica que é o Estado. Esta é a grande questão que se coloca. Melhor: é o desafio! Antes de mudar alguma coisa, se não reflectirmos sobre isto, estamos a condenar o processo. Estamos, no mínimo, a limitar o processo.
Existem muitas áreas que podem ser reorganizadas, reformadas e até extintas. O Estado foi duplicando serviços, competências, atribuições, etc. A Administração Pública, Central e Local, foi crescendo sem grande coerência. Não existiu planificação efectiva. Não existiu (nem existe!) uma estratégia global ou uma política de recursos humanos. O Estado demitiu-se durante anos da diferenciação dos seus quadros, da evolução qualitativa, da promoção da especialização e da formação contínua das várias carreiras. O número de funcionários foi crescendo, crescendo, crescendo… Não sabemos se são em excesso. Sabemos, por outro lado, que a sustentabilidade é duvidosa. Pelo menos sem subir ainda mais a carga fiscal, ainda que fique de fora uma parte da economia, que teima em fugir aos cofres públicos. Provavelmente uma reforma séria começava por aqui: conter e minimizar a economia paralela.
Existe um grave problema por resolver (não sei se o será algum dia). Refiro-me concretamente ao modelo de administração e à organização e direcção das várias estruturas. Mas sobretudo à responsabilização dos dirigentes pelos resultados. Dos níveis intermédios até ao topo. Isto implica que exista uma estratégia e planeamento.
A mudança, se a quisermos efectiva e capaz de alterar a situação actual, deve ser feita à custa da programação de objectivos, responsabilizando os dirigentes pelos resultados, promovendo avaliações de desempenho. Quem não cumpre, sai. Em conjunto, devem ser avaliados os restantes funcionários, dependendo a progressão das carreiras da produtividade e dos objectivos cumpridos. De forma clara, séria e credível.
Publicado no Jornal do Algarve
Crescer é desenvolver. Desenvolver é mudar, é acreditar que essa mudança introduz uma diferenciação positiva. Com o tempo evoluímos, por vezes quase sem querer ou sem sentir. Seja pela experiência e pelo saber adquiridos, ou pelo simples facto de repensarmos pressupostos e confrontarmo-nos com novas ideias… ou até velhas. Também regredimos. Por vezes estagnamos. Fundamentalmente mudamos. Eu e nós. O individuo e a sociedade.
A busca e a partilha do saber, a opinião adquirida e promovida, a abertura às influências exteriores e uma cultura que facilite o acesso à informação, são pilares do desenvolvimento.
Sabemos hoje que para produzir melhor, necessitamos de mais competências, mais formação especializada, mas também mais cultura. O que fazemos define quem somos. O resto, aquilo que queremos e podemos ser. Apostar nisto não é mais que aprofundar a democracia.
O Governo já fez saber que quer reestruturar o Estado. Não interessa para aqui se o vai tentar ou conseguir. Não interessa para já, também, se a Administração Pública tem muitas ou poucas pessoas, mas definir o que esperamos, enquanto cidadãos, contribuintes e eleitores dessa figura abstracta e tantas vezes retórica que é o Estado. Esta é a grande questão que se coloca. Melhor: é o desafio! Antes de mudar alguma coisa, se não reflectirmos sobre isto, estamos a condenar o processo. Estamos, no mínimo, a limitar o processo.
Existem muitas áreas que podem ser reorganizadas, reformadas e até extintas. O Estado foi duplicando serviços, competências, atribuições, etc. A Administração Pública, Central e Local, foi crescendo sem grande coerência. Não existiu planificação efectiva. Não existiu (nem existe!) uma estratégia global ou uma política de recursos humanos. O Estado demitiu-se durante anos da diferenciação dos seus quadros, da evolução qualitativa, da promoção da especialização e da formação contínua das várias carreiras. O número de funcionários foi crescendo, crescendo, crescendo… Não sabemos se são em excesso. Sabemos, por outro lado, que a sustentabilidade é duvidosa. Pelo menos sem subir ainda mais a carga fiscal, ainda que fique de fora uma parte da economia, que teima em fugir aos cofres públicos. Provavelmente uma reforma séria começava por aqui: conter e minimizar a economia paralela.
Existe um grave problema por resolver (não sei se o será algum dia). Refiro-me concretamente ao modelo de administração e à organização e direcção das várias estruturas. Mas sobretudo à responsabilização dos dirigentes pelos resultados. Dos níveis intermédios até ao topo. Isto implica que exista uma estratégia e planeamento.
A mudança, se a quisermos efectiva e capaz de alterar a situação actual, deve ser feita à custa da programação de objectivos, responsabilizando os dirigentes pelos resultados, promovendo avaliações de desempenho. Quem não cumpre, sai. Em conjunto, devem ser avaliados os restantes funcionários, dependendo a progressão das carreiras da produtividade e dos objectivos cumpridos. De forma clara, séria e credível.
2006-11-20
2006-11-19
2006-11-14
O Dr. Paulo Macedo estará de saída em Maio?
O Sindicato dos trabalhadores dos impostos entende que o ordenado do Director-geral da DGCI, Paulo Macedo, na ordem dos 23 mil Euros, é bem pago!
Aqui está um sindicato que admitiu que errou, quando acusou o Governo de ter nomeado um alto dirigente com um vencimento ao nível do sector privado.
De facto, ganha muito acima dos seus homólogos, muito acima do seu Ministro, do Primeiro-ministro ou do Presidente da República. Estranho é estes cargos serem tão mal pagos! Um Ministro ou um Secretário de Estado tutelam milhões de Euros, recebendo ao nível de Directores intermédios de empresas privadas…
Como é que se responsabiliza gestores de áreas vitais, sem pagar em conformidade? Sem receita não há despesa... este Director-geral já conseguiu recuperar mais verbas que os seus antecessores, mas como somos um País de moralistas, ou há para todos, ou ninguém come. Assim vamos ficando.
Se o Estado (i.e. todos nós) quer mais eficiência, deve rever os vencimentos de uma parte dos gestores de organismos públicos. A DGCI é, sem dúvida, a par da Segurança Social, uma área onde devemos pagar os melhores gestores que conseguirmos contratar. Mesmo os melhores. Caso contrário…
O Sindicato dos trabalhadores dos impostos entende que o ordenado do Director-geral da DGCI, Paulo Macedo, na ordem dos 23 mil Euros, é bem pago!
Aqui está um sindicato que admitiu que errou, quando acusou o Governo de ter nomeado um alto dirigente com um vencimento ao nível do sector privado.
De facto, ganha muito acima dos seus homólogos, muito acima do seu Ministro, do Primeiro-ministro ou do Presidente da República. Estranho é estes cargos serem tão mal pagos! Um Ministro ou um Secretário de Estado tutelam milhões de Euros, recebendo ao nível de Directores intermédios de empresas privadas…
Como é que se responsabiliza gestores de áreas vitais, sem pagar em conformidade? Sem receita não há despesa... este Director-geral já conseguiu recuperar mais verbas que os seus antecessores, mas como somos um País de moralistas, ou há para todos, ou ninguém come. Assim vamos ficando.
Se o Estado (i.e. todos nós) quer mais eficiência, deve rever os vencimentos de uma parte dos gestores de organismos públicos. A DGCI é, sem dúvida, a par da Segurança Social, uma área onde devemos pagar os melhores gestores que conseguirmos contratar. Mesmo os melhores. Caso contrário…
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