2007-04-16

Se parece, tem boa probabilidade de ser… ou não!
Publicado no Região Sul

Não gosto de futebol. Sei bem que estou isolado neste assunto, mas custa-me ver sofrer por um desporto corrupto ou que personifica uma espécie de corrupção, perdoem-me a prosopopeia. Não digo que sejam todos, sequer a maioria, acredito até que sejam poucos, mas a má imagem vai instalando-se.

Não compreendo, ou fico assombrado, como é possível que até hoje o mais próximo que se esteve de ver justiça feita foi com o Apito Dourado, que –afinal–nem era de ouro de lei… e não tem final à vista.

Mas existem outros problemas que ninguém consegue resolver.

O triste espectáculo de Domingo, onde a claque do FCP demonstrou uma vez mais que está acima da lei; a polícia, que revelou outra vez que não tem ferramentas e estratégias para lidar com o assunto e o clube responsável pela escolha da localização da claque, que precipitou algo que estava latente, embora perca mais tempo a maldizer a Subcomissária Paula Monteiro e a instituição de segurança pública que representa. No limite, está a assobiar para o lado. No mínimo está a ser irresponsável.

Membros desta claque, segundo notícias, já assaltaram estações de serviço no regresso a “casa”. Já se habituaram à impunidade, com alguma arrogância, até a um estranho protectorado, ou pelo menos uma relativa complacência de todos.

Já assisti a uma outra claque conhecida partir garrafas e mobiliário urbano por onde passava.

Mas existem outros problemas no futebol português. É um desporto que galvaniza tantos, especialmente os mais novos, que vêm nos jogadores das equipas principais, figuras de referência. Apesar disso, permitem-se jogar por vezes sujo e quando não são apitados no rectângulo, dificilmente serão punidos pelas faltas de fairplay.

Como na política, existem comentadores desportivos para todas as opiniões e “credos”. O que é óptimo. Apesar de uma mesma imagem conseguir ter várias interpretações e fazer correr muita tinta nos vários jornais desportivos.

Também a ligação entre a política e o futebol, especialmente ao nível autárquico, admitindo que não seja a regra, dá um péssimo sinal destas instituições e da política no geral, que não precisa de mais este foco de descrédito. Embora os “sacos azuis”, os financiamentos ilegais, as permutas de terrenos, as compras e vendas de terrenos, as dívidas, enriquecimento sem causa, etc., mais pareçam ficar impunes. A tendência é julgar as pessoas na comunicação social, como uns pedem, mas ainda falta percorrer o longo calvário do sistema judicial… apenas para tudo ficar na mesma. Será?

Bom, também não posso dizer que desgosto de tudo o que esteja relacionado com futebol. Gostei especialmente da pista que foi feita no Estádio do Algarve para receber o Rally de Portugal. É uma ocupação bem mais interessante para o espaço! Desculpem-me o “sacrilégio” …

1 comentário:

Mauro disse...

Não estás sozinho no teu desapreço pelo que deveria ser um desporto e, afinal, é mais jogadas de bastidores e favores trocados do que chutos numa bola. E nem falo em homens crescidos a receber absurdos monetários para fazer o que qualer puto gosta de fazer no recreio da sua escola...