2008-02-05

Pequenos delitos, ou delírios pequenos
Publicado no Região Sul

Fumar passou a ser, desde o início do ano, uma espécie de crime. Se por um lado os direitos dos fumadores são limitados, é certo que quem não fuma tem o benefício de poder beber um café ou comer a sua refeição sem poluição e, acima de tudo, o direito à sua saúde. Por outro lado, os nossos deputados garantiram, ainda assim, a maior parte do território nacional aos fumadores.

Diz-se que os fumadores têm que sair (por exemplo) do restaurante onde se encontram, para dar azo à vontade de acender aquele cigarro que lhes está a dilacerar a alma. Ou seja, os não fumadores ficaram confinados a exercer o seu direito de não fumar (e não serem importunados pelo fumo dos outros) no interior do estabelecimento. Confinados, portanto. Mas a poder respirar fundo.

Estou a imaginar, no próximo Verão, os fumadores a puxar cigarro-atrás-de-cigarro nas esplanadas, tentando recuperar os seis meses que ficaram acercados da sua liberdade de incomodar os outros. E a minha? E a dos meus pulmões?! É certo que não pago 80% de impostos sobre este vício que, apesar de tudo, faz um bem tremendo ao défice público, provavelmente na razão indirecta do que faz à saúde dos que fumam!

E a saúde? Não a nossa, mas os impactos que este hábito tem na despesa pública? Era interessante que se realizasse um estudo profundo dos custos e benefícios, cruzando estes factores todos. Ainda que com umas pausas para fumar uns cigarros, fora do gabinete, claro está!

Mas os nossos legisladores esqueceram-se das classes profissionais que utilizam a zona livre de proibição de fumo como local de trabalho. Ninguém pensou nos milhares de anónimos arrumadores de carros, de carteiros, de polícias em patrulha pedestre (ou de bicicleta), os vendedores de castanhas, entre tantos outros!? Quem é que garante a protecção destes cidadãos à exposição involuntária ao fumo do tabaco?

Claro que como não fumador sou claramente beneficiado pela lei. Apaguei o meu último cigarro passivo e isso é sempre um marco importante. Se considerarmos todos aqueles que trabalham em ambientes anteriormente carregados de fumo, como os bombeiros, percebemos que a sua saúde só pode melhorar.

Eu sugiro que para além de fumadores em actividade e cães (nunca percebi porque motivo se proíbem os cães de entrar em restaurantes e cafés, mas não os gatos, ou mesmo as vacas, bois e porcos, é que um cão sempre incomoda e arranha menos e cheira muito melhor, mas adiante) se faça uma lei mais genérica para proibir a entrada a todos aqueles que fogem aos impostos, que batem nas mulheres (ou nos maridos, que não quero ser acusado de sexismo) ou que descarreguem material informático sem licença da Internet. Isso sim era fazer política. Isso sim seria ambição. Assim, preferem “bater” nos pobres fumadores, que já não têm saúde para se defender…

1 comentário:

Jáo Viegas dos Santos disse...

Bah!
Assim é que é, vrrrrrrrum, vrrrrrrrum ....
... censura total conseguida, o último comentário que aparece (apareceu!) é de Agosto de 2007 e é meu.
Também a doença se acaba quando o doente morre, assim está este "blogue", morreu com a censura que lhe provocaram ...
... paz à alma reaccionária que passou ao limbo perfeito, a inanição.
Eles andam por aí!
Viegas