2005-11-14

Portugal vai mudar?

Durante três décadas temos vivido a ilusão de que elegemos políticos para nos representar. Ou, se quiserem, tenho dúvidas que a sua preocupação tenha sido exclusivamente essa. Ou ainda, existe uma série de políticos que dão má fama às funções, pelo que existe uma necessidade absoluta de encontrar mecanismos de acabar com os esquemas e com os compadrios existentes dentro do aparelho do estado. Por vezes fala-se mal dos funcionários públicos, mas esquecemo-nos de apontar o dedo aos eleitos que governam e decidem.

Não quero entrar na velha discussão: se são mais os que se representam, ou mais os que nos representam, não por falta de espaço, mas de pachorra.

Existem políticos que desenvolvem uma actividade “privada”, prestigiada e de renome. Embora esta passagem seja interessante a vários níveis, quando acaba o mandato, regressam aos afazeres que colocaram em pausa. Posso concordar que alguém, mesmo sem currículo para desempenhar um cargo, quando sai dele, aumenta o seu perfil curricular. Existem outros que se enquadram nos primeiros, que saem para tratar de negócios, assessorarem ou gerirem negócios com o Estado… normalmente quando é governado pelo seu partido. Ou seja, escusam-se do trabalho para que foram eleitos e decidem governar a sua carteira…

Importa, já agora, perceber (trabalho para a comunicação social) e estudar (trabalho das universidades, investigadores sociais e, porque não, da administração fiscal) qual a situação financeira dos políticos depois de assumirem cargos públicos. Verificar por exemplo, qual foi o grau de enriquecimento no hiato que vai das primeiras funções até à actualidade (depois da saída). Como base de amostragem, eram escolhidos alguns (destacados) políticos, com pelo menos uma legislatura de “pausa política”… os resultados seriam interessantes.

Gostamos, também, de discutir nos cafés como foi possível alguns autarcas tornaram-se proprietários de apartamentos por todo o lado. Enriqueceram com 600 contos por mês!?!? Incrível! E altos responsáveis partidários que não tinham pé-de-meia há 15 anos, mas agora, pelo que se ouve e comenta, estão em patamares impensáveis, face às remunerações que auferiram antes de entrarem no “jogo”. Ou medíocres “yes men’s” que têm sido nomeados acima do seu nível profissional (pay level). Mas depois damos-lhe o benefício, ao não exigirmos, enquanto sociedade, uma investigação isenta e imparcial. Ficamo-nos pela condenação pública, seja lá o que isso for. Não podemos ser assim tão inconsequentes. Será que ninguém compra esta luta? Parece-me que não!

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